ALERTA DE SAÚDE
Venda ilegal de retatrutida dispara no Brasil antes de aprovação oficial
Produto sem registro sanitário em qualquer país do mundo tem apreensões na fronteira crescendo mais rápido que a produção científica da Eli Lilly.
A comercialização clandestina de canetas anunciadas como retatrutida tem crescido de forma acelerada no mercado brasileiro, apesar de a substância ainda não possuir registro em nenhuma agência sanitária global. A decisão de alertar a população sobre os riscos foi reforçada nesta sexta-feira (24) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que confirmou que o fármaco permanece em fase de desenvolvimento clínico, sem pedido de aprovação submetido no Brasil ou no exterior. O volume de apreensões realizadas pela Receita Federal e pela Anvisa na fronteira de Foz do Iguaçu ilustra a gravidade da situação: apenas nos três primeiros meses de 2026, foram retidos mais de R$ 11 milhões em produtos, valor que já supera todo o montante registrado durante o ano de 2025. O consumo desses itens coloca em risco direto a vida de pacientes, uma vez que o produto vendido ilegalmente não possui controle de qualidade, procedência confirmada ou aprovação para uso terapêutico. A farmacêutica Eli Lilly, detentora da molécula, reiterou em nota enviada nesta sexta-feira (24) que a retatrutida está atualmente na fase 3 de estudos clínicos. A empresa destaca que, por não ter sido avaliada por autoridades regulatórias, qualquer comercialização do produto no mercado é ilegal e prematura. Especialistas alertam para a falta de transparência sobre o que, de fato, está sendo injetado pelos usuários. Segundo Clayton Macedo, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), o maior perigo reside na origem duvidosa do composto. Além da possível contaminação bacteriana e de substâncias estranhas, existe o risco severo de imunogenicidade, onde o corpo pode reagir de forma alérgica, desencadeando quadros graves como a síndrome de Stevens-Johnson. Fernando Valente, do Departamento de Educação em Diabetes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), enfatiza que a ausência de normas de conservação térmica e de processos de fabricação certificados torna impossível garantir a segurança ou a concentração do produto. Para os órgãos de saúde, a única forma segura de acessar a substância, enquanto ela segue em fase experimental, é por meio da participação oficial nos estudos clínicos monitorados pela própria Eli Lilly.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário