SOBERANIA EM JOGO
Venda de mina de Terras Raras por US$ 2,8 bilhões acende alerta no Brasil
Negócio bilionário com mineradora americana reacende debate sobre o controle de recursos estratégicos e impacta agenda do Congresso e do STF.
A recente venda de uma mineradora em Goiás para uma empresa americana, avaliada em quase US$ 3 bilhões, reacendeu intensos debates sobre a soberania nacional e o controle de recursos estratégicos no Brasil nesta terça-feira, 28/04/2026. A transação envolveu uma das maiores reservas mundiais de Terras Raras, 17 minerais cruciais para a tecnologia moderna e a transição energética.
Esses minerais estratégicos, empregados na fabricação de produtos que variam de carros elétricos a sistemas militares de ponta, posicionam o Brasil no epicentro de uma complexa disputa geopolítica global. A aquisição, controlada por fundos privados e internacionais, provocou uma imediata preocupação dentro do governo brasileiro, que questiona a governança sobre o subsolo nacional e a capacidade de preservar os interesses do país em um mercado de valor inestimável.
O ministro de Assuntos Estratégicos, Luiz Felipe Silva, já declarou publicamente que o subsolo brasileiro pertence à União, e que acordos que transfiram a exploração de forma irrestrita não se sustentam juridicamente. A discussão sobre a regulamentação das Terras Raras, embora urgente, avança lentamente no Congresso, com análise prevista para maio. Paralelamente, o Supremo Tribunal Federal (STF) analisa uma ação que questiona a constitucionalidade da exploração da mina em Minaçu, no norte de Goiás.
A humanização desta questão reside no futuro de uma nação. Garantir o controle e a gestão sustentável de recursos como as Terras Raras é fundamental para a dignidade e a autonomia do Brasil, protegendo seu patrimônio natural e assegurando que os benefícios da exploração se revertam para o desenvolvimento da sociedade brasileira, e não apenas para lucros estrangeiros. A perda de controle sobre esses ativos estratégicos pode significar a renúncia a uma parte crucial do futuro econômico e tecnológico do país.
Jonathan Colombo, engenheiro e professor do MBA em ESG de Mudanças Climáticas e Transição Energética da Fundação Getúlio Vargas (FGV), alerta para os desafios críticos de evitar danos ambientais irreversíveis e a perda de soberania na exploração dessas riquezas. A falta de uma regulamentação robusta e de fiscalização eficaz pode deixar o Brasil vulnerável a práticas insustentáveis e à descapitalização de um de seus maiores tesouros naturais.
Enquanto os Estados Unidos buscam formar alianças sobre minerais críticos, convidando mais de 50 países, a China, que atualmente domina a produção mundial, reage, intensificando a corrida tecnológica e a disputa por influência. A posição do Brasil, com a segunda maior reserva, torna-se ainda mais estratégica e desafiadora neste tabuleiro global.
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