PROTEÇÃO DE MERCADO
USTR recebe mais de 300 manifestações contra tarifas sobre produtos brasileiros
Mais de 335 empresas e organizações brasileiras e americanas registraram comentários sobre a proposta de taxação de 25% anunciada pelo governo dos Estados Unidos em julho.
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) registrou o recebimento de 335 manifestações formais de empresas e organizações, em sua maioria brasileiras e americanas, sobre a proposta de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A medida, anunciada em julho deste ano com base na Seção 301, visa retaliar práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses dos Estados Unidos. O prazo para envio de comentários foi encerrado em 1º de julho, e o USTR também recebeu outras 30 manifestações de pessoas físicas, incluindo a do senador Flávio Bolsonaro (PL). A Seção 301 é um dispositivo legal que confere aos Estados Unidos a prerrogativa de impor tarifas coercitivas sobre mercadorias de países cujas atividades comerciais são percebidas como danosas ao setor produtivo americano. As justificativas apresentadas pelo governo Trump para a taxação incluem alegações de políticas e práticas relacionadas ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais consideradas injustas, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e combate ao desmatamento ilegal. Um grupo significativo de empresas renomadas globalmente, como Coca-Cola, eBay, Nestlé, Faber-Castell e Tesla, figurou entre as que apresentaram manifestações. Além dessas companhias, diversas entidades setoriais brasileiras também expressaram seu posicionamento. Exemplos notáveis incluem a CNA (Confederação Nacional da Indústria) e a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), que defenderam os interesses de seus setores. As manifestações contrárias à nova tarifa destacam os potenciais ônus sobre as cadeias de produção a curto prazo e argumentam que a medida, ao invés de resolver as questões apontadas, pode prejudicar tanto empresas brasileiras quanto americanas. A preponderância de manifestações contrárias, muitas delas vindas de empresas brasileiras e americanas, sinaliza uma preocupação generalizada com os efeitos negativos da proposta para a atividade econômica de ambos os países.
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