RISCO SILENCIOSO
USP alerta: ultraprocessados crescem no RN e ameaçam a vida
Estudo da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo expõe avanço de dietas ricas em produtos industrializados, que já chegam a 21,2% das calorias diárias em Natal.
Um estudo revelador da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) acende um alerta urgente sobre a saúde pública no Brasil. A pesquisa, que identificou a presença de alimentos ultraprocessados na dieta em todos os 5.570 municípios brasileiros, aponta para um crescimento alarmante do consumo desses produtos, impactando diretamente o bem-estar e a dignidade da população. No Estado do Rio Grande do Norte, por exemplo, eles já representam 18,7% do total calórico diário, um salto de 3 pontos percentuais na capital, que atinge 21,2%. A urgência da questão é discutida nesta terça-feira, 28 de abril de 2026, diante da crescente ameaça à saúde.
A análise da USP detalha a disparidade regional do consumo. Em Parnamirim, os ultraprocessados correspondem a 20,3% das calorias diárias. Mossoró segue com 18,0%, Caicó com 17,5% e Extremoz com 17,3%. Em contraste, municípios como Paraná e Jardim de Angicos registram os menores índices, com 13,2%, mostrando que, embora o fenômeno seja generalizado, sua intensidade varia.
Para Rodrigo Rüegg, professor de Nutrição da Estácio, esse cenário não é surpreendente. “O fato de esse padrão estar presente em praticamente todos os municípios mostra que não é mais um fenômeno localizado, mas estrutural, ligado ao sistema alimentar e ao ambiente em que vivemos”, afirma Rüegg, ressaltando que a praticidade da rotina moderna e a vasta oferta de industrializados influenciam diretamente essa mudança de hábitos.
Mas, afinal, o que define um alimento ultraprocessado? São formulações industriais que contêm pouquíssimos ou nenhum alimento in natura. A plataforma Sara explica que esses produtos utilizam substâncias extraídas de alimentos, como óleos, gorduras, açúcar e amido, e são repletos de aditivos artificiais, como corantes, aromatizantes e realçadores de sabor. O objetivo da indústria é maximizar o sabor, prolongar a validade e facilitar o consumo, mas essa conveniência vem a um custo alto para a qualidade nutricional.
Exemplos de alimentos ultraprocessados são variados e incluem itens como biscoitos recheados, salgadinhos de pacote, refrigerantes, macarrão instantâneo, salsichas e embutidos. Estes produtos, muitas vezes, compõem a base da alimentação em muitos lares, substituindo refeições mais nutritivas.
Os impactos a longo prazo do consumo excessivo são alarmantes. Professor Rüegg alerta que o perfil nutricional desequilibrado dos ultraprocessados está intimamente ligado ao diagnóstico de doenças crônicas, como obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, hipertensão e certos tipos de câncer. “São alimentos ricos em açúcar, gordura, sódio e pobres em nutrientes. Além disso, são hiperpalatáveis, o que contribui para alterações metabólicas e desregulação da fome e saciedade, favorecendo o consumo excessivo”, detalha.
A recomendação é categórica: é fundamental reduzir ao máximo a ingestão desses produtos. A orientação é clara, conforme reforça o professor: “buscar incluir mais ingredientes in natura na dieta, como hortaliças, frutas, grãos e leguminosas. Ou seja: descascar mais e desembalar menos.” O Guia Alimentar para a População Brasileira enfatiza a importância de evitar ultraprocessados, pois “quanto menor a participação desses produtos na dieta, melhor” para a saúde e o bem-estar de todos.
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