RESCATE DE AVES
Universidade Federal do Rio Grande resgata 18 pinguins com óleo no Litoral Sul do RS
Animais foram encontrados com hipotermia, anemia e desidratação. Origem da substância oleosa ainda é desconhecida, mas amostras foram coletadas para investigação.
Um grupo de 18 pinguins, encontrados cobertos por óleo em praias do Litoral Sul do Rio Grande do Sul, foi resgatado nos últimos dias. Os animais foram encaminhados ao Centro de Recuperação de Animais Marinhos (Cram), vinculado à Universidade Federal do Rio Grande (Furg). A última vez que a instituição registrou casos semelhantes foi há sete anos, em 2019.
As aves foram localizadas encalhadas, apresentando quadros de hipotermia, anemia e desidratação. Antes de passar pelo processo de limpeza das penas, conhecido como despetrolização, os pinguins recebem tratamento para estabilização clínica, visando recuperar suas condições de saúde.
A origem da substância oleosa que atingiu os animais ainda é desconhecida. Amostras do óleo foram coletadas para auxiliar na investigação. Paula Canabarro, coordenadora da equipe técnica do Cram, explica que os pinguins agem como indicadores da presença de óleo no oceano.“Nós não sabemos a origem dessa mancha nem onde ela está localizada, mas existe a possibilidade de recebermos mais animais ao longo das próximas semanas”, alertou a coordenadora, indicando que o evento pode afetar outros animais.
Atualmente, o Cram acolhe 35 animais. Além dos pinguins atingidos pelo óleo, o centro cuida de outros cinco pinguins em fase final de recuperação, lobos-marinhos, um leão-marinho, tartarugas e aves oceânicas. Desse total, nove animais permanecem em área de quarentena, seguindo protocolos sanitários devido à emergência zoossanitária de gripe aviária. Eles só são transferidos para as áreas de reabilitação após exames que descartem a doença.
O tempo de recuperação dos animais dura, em média, um mês, variando conforme a espécie e seu estado de saúde. Para serem considerados aptos à soltura, os animais precisam apresentar boa condição corporal, exames de sangue dentro dos padrões e demonstrar comportamento compatível com a vida em seu habitat natural.
O Cram, fundado em 1974, dedica-se ao resgate e reabilitação da fauna marinha. Lauro Barcellos, diretor do complexo de museus da Furg, expressou preocupação com a situação atual. "É lamentável que os animais comecem a aparecer novamente cobertos por óleo. Isso é uma agressão à natureza e aos animais", declarou.
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