INFRAESTRUTURA EM CRISE
Milhares de gaúchos enfrentam falta de energia quatro dias após a passagem do Ciclone
Queda de 26 torres de energia na região da Lagoa Mirim mantém 21 mil endereços no escuro. Operação de reparo enfrenta desafios climáticos severos.
Milhares de moradores do Rio Grande do Sul permanecem sem energia elétrica quatro dias após a passagem do Ciclone pela região. A interrupção no fornecimento, que afeta 21 mil endereços, impõe desafios severos à rotina de famílias e ao funcionamento de serviços essenciais, evidenciando o impacto direto do desastre na dignidade da população.
A situação, registrada quatro dias após o evento climático, forçou um hospital local a suspender cirurgias eletivas, mantendo apenas o atendimento de emergência com o auxílio de três geradores. O dano estrutural, localizado na área da Lagoa Mirim, foi provocado pela ventania intensa, que comprometeu 26 torres de transmissão de energia.
Para a população, a ausência de luz se traduz em perda de mantimentos, escassez de água potável e isolamento. Relatos de cidadãos como a estudante Crissiany Teixeira e a salgadeira Angela Pizani destacam o prejuízo material e a dificuldade de comunicação. “Eu perdi todo meu trabalho. O pessoal cancelou. Eu fiquei com todos meus freezers estragados”, desabafa Angela Pizani sobre os danos ao seu comércio.
Uma força-tarefa composta por cerca de 90 profissionais trabalha no conserto das estruturas, inclusive em áreas alagadas, com o auxílio de helicópteros para o transporte de peças pesadas. Riberto José Barbanera, diretor-presidente da CEEE Equatorial RS, explica que as atividades, mantidas das 6h às 20h, dependem estritamente das condições meteorológicas. “Temos variáveis como o vento e a força das marés, que precisamos conciliar com o nosso planejamento”, pontua.
Enquanto a CEEE Equatorial RS não apresenta um prazo definitivo para o restabelecimento total do serviço, moradores como a professora Givana Moreira Kleinkauf e a comerciante Lenira das Neves relatam o esgotamento físico e financeiro. Lenira, inclusive, precisou adquirir um novo gerador para tentar salvar seu estoque, reforçando a necessidade urgente de uma solução por parte das autoridades e concessionárias.
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