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União Europeia veta carne brasileira e ameaça US$ 2 bilhões em exportações

Ilustração de um navio de carga com bandeira do Brasil e a União Europeia, simbolizando exportação.
Exportação de carne brasileira para a União Europeia está sob ameaça após veto sanitário.

Restrição sanitária da UE para produtos de origem animal pode fechar mercado estratégico para o Brasil a partir de setembro. Setor busca reverter decisão.

A União Europeia decidiu excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal ao bloco, uma medida que pode colocar em risco cerca de US$ 2 bilhões em vendas anuais do agronegócio brasileiro. A decisão, comunicada pela Comissão Europeia, foi motivada pelo não cumprimento de exigências sanitárias específicas e terá efeitos a partir de 3 de setembro de 2026. A restrição impacta diretamente a dignidade do setor produtivo, que vê anos de trabalho e investimentos ameaçados por uma decisão que, segundo o governo e produtores, ainda pode ser revertida com esclarecimentos adicionais nos próximos meses.

Dados do Agrostat, sistema do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), revelam a magnitude do mercado em questão. Em 2025, o Brasil exportou para a União Europeia aproximadamente 368,1 mil toneladas de carnes, gerando uma receita de US$ 1,8 bilhão. Caso a restrição se confirme, produtos como carne bovina (US$ 1,048 bilhão em 2025), carne de frango (US$ 762,9 milhões) e outros itens como mel e tripas podem ficar fora do acesso ao exigente mercado europeu.

A Comissão Europeia justificou a decisão com base na legislação europeia, que proíbe a importação de produtos de origem animal de sistemas produtivos que utilizam determinados antimicrobianos para fins de crescimento ou aumento de produtividade. Bruxelas alega que o uso inadequado dessas substâncias contribui para a resistência bacteriana, uma grave ameaça global à saúde pública. O regulamento publicado aponta que o Brasil não apresentou, até o momento, informações consideradas suficientes para comprovar o cumprimento integral das normas até setembro de 2026, o que levou à exclusão do país da lista de exportadores autorizados para bovinos, aves, equídeos, aquicultura, mel e tripas.

Apesar da oficialização da medida, as restrições ainda não entraram em vigor, concedendo uma janela de oportunidade para o governo brasileiro e o setor produtivo. As exportações continuam normais até 3 de setembro de 2026, data em que o novo regulamento passa a ter efeito. A expectativa é que, até lá, esclarecimentos adicionais sejam apresentados para reverter a decisão e evitar perdas significativas para a economia e os produtores nacionais.

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