AVANÇO DO AGRONEGÓCIO

Agropecuária avança e vegetação nativa encolhe no Brasil em 41 anos

Vista aérea de área agrícola brasileira.
Dados apontam expansão do uso da terra para pecuária e agricultura.

Monitoramento indica que área produtiva cresceu para 32% do território nacional enquanto biomas sofrem com extremos climáticos.

A agropecuária ampliou significativamente a sua ocupação no território nacional nas últimas quatro décadas, consolidando uma transformação profunda na paisagem brasileira. O MapBiomas divulgou nesta quarta-feira (12/8) os resultados de um estudo que mapeou a cobertura e o uso da terra no Brasil de 1985 a 2025.

O levantamento aponta que a participação das atividades agropecuárias saltou de 18% para 32% do território. Em um movimento inverso, a vegetação nativa apresentou uma redução, caindo de 79% para 65% no mesmo intervalo. Essa mudança acende um alerta sobre a resiliência dos biomas frente à crescente pressão antrópica e aos efeitos dos extremos climáticos.

Impacto nos biomas e clima

A fragilização das áreas naturais tem consequências diretas na estabilidade ecológica do País. Conforme o estudo, os biomas brasileiros têm enfrentado ciclos de secas ou chuvas intensas, agravados em períodos de forte atuação do El Niño, fenômeno que gera preocupação para o cenário previsto em 2026.

  • Crescimento da área produtiva: Em 1985, o Brasil possuía 150,2 milhões de hectares destinados à agropecuária. Em 2025, o número atingiu 273,3 milhões de hectares. Desse total, 60,6% são ocupados por pastagens.
  • Perdas acumuladas: Amazônia e Cerrado foram os biomas que registraram a maior supressão de vegetação nativa, com perdas de 53,9 milhões e 51,7 milhões de hectares, respectivamente. Na sequência, aparecem Caatinga, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal.
  • Dinâmica estadual: Entre os entes federativos, 25 estados e o Distrito Federal reduziram a cobertura vegetal. O Rio de Janeiro foi a única exceção, registrando um aumento de 1% na vegetação nativa.

Formação Florestal sob pressão

A Formação Florestal mantém-se como a principal cobertura nacional, ocupando 359,5 milhões de hectares, ou 42,3% do território. Contudo, essa categoria também sofreu a maior retração absoluta das últimas quatro décadas, acumulando uma perda de 65 milhões de hectares desde 1985. Embora o estudo ressalte que essas áreas ainda concentrem as maiores porções de estabilidade territorial, o ritmo de supressão segue como um desafio central para a preservação ambiental brasileira.

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