CRISE NA CARNE
União Europeia veta carne bovina do Brasil a partir de setembro
Decisão unilateral surpreende setor e governo, ameaçando US$ 1 bilhão em exportações e milhares de empregos. Medida entra em vigor em 3 de setembro de 2026 por falhas sanitárias.
A União Europeia chocou o setor agropecuário brasileiro nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, ao decidir barrar a importação de carne bovina do Brasil a partir de 3 de setembro do mesmo ano. A medida, que entra em vigor menos de duas semanas após a celebração do acordo de livre comércio entre o Mercosul e o bloco europeu, é justificada pelo alegado não cumprimento de novas exigências sanitárias relativas ao uso de antimicrobianos na produção animal. Esta determinação representa um duro golpe bilionário à economia brasileira, pondo em risco a credibilidade do país no comércio global e o sustento de milhares de famílias que dependem direta e indiretamente da cadeia produtiva de carne.
A restrição europeia foca em novas regras para o uso de antimicrobianos — substâncias como antibióticos e outros medicamentos empregados para prevenir ou tratar infecções em animais. Em alguns casos, esses produtos também são utilizados para promover o crescimento animal, aumentando a produtividade das criações. Anteriormente, em 12 de maio de 2026, o Brasil não enfrentava restrições para vender carnes de boi, frango e cavalo, além de tripas, mel e peixe para os europeus. Países como Argentina, Paraguai e Uruguai, também membros do Mercosul, não foram afetados por essa nova regulamentação de exportação para o bloco.
A decisão da União Europeia é particularmente sensível porque o bloco representa o segundo maior mercado em valor para as carnes brasileiras, ficando atrás apenas da China. Em 2025, os países europeus importaram mais de US$ 1,8 bilhão do Brasil, sendo US$ 1 bilhão somente em carne bovina. Este volume expressivo realça o peso do veto para o setor e para a balança comercial brasileira.
Tanto o governo quanto os produtores brasileiros manifestaram surpresa com a medida, afirmando que estavam em diálogo contínuo com a União Europeia. A expectativa é de que haja tempo, até 3 de setembro de 2026, para que a situação seja revista e a proibição, se possível, seja revogada, evitando assim grandes prejuízos às exportações do país. Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), expressou confiança na capacidade do Brasil em demonstrar conformidade com as exigências europeias.
“A gente tem certeza de que o Brasil vai conseguir explicar e mostrar o que a gente de fato faz na nossa produção. Nós não usamos antimicrobianos como promotores de crescimento e temos controles individuais que são bastante robustos”, afirma Santin, reforçando a defesa da qualidade da carne brasileira.
Em nota oficial, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) reiterou que “a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios dos principais mercados internacionais, com rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente. Atualmente, o Brasil exporta para mais de 170 países, sustentado por um dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo”.
Como medida preventiva, o Ministério da Agricultura informou que, há 15 dias, publicou uma portaria proibindo o uso e a venda de antimicrobianos empregados para a engorda de gado, aves e suínos, estabelecendo prazo até o fim de agosto para a retirada desses produtos das revendas. O ministro da Agricultura, André de Paula, demonstrou otimismo em relação à superação dos desafios impostos.
"O que eu quero assegurar é que o Brasil vai responder a essas exigências e vai seguir exportando. O Brasil tem um sólido sistema de defesa agropecuária. Não por acaso, nós somos o maior exportador de proteína animal do mundo. O que a União Europeia sinaliza é que ela quer antimicrobianos zero, e nós vamos trabalhar para chegar a isso", concluiu o ministro.
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