TENSÃO COMERCIAL GLOBAL

União Europeia cobra cumprimento de acordo comercial após novas tarifas de Trump

Contêineres em porto internacional representando o comércio entre União Europeia e Estados Unidos.
Em 2023, o comércio entre a UE e os EUA ultrapassou US$ 1,8 trilhão — Foto: Getty Images via BBC

Bloco europeu exige que Estados Unidos honrem compromissos firmados, enquanto Washington impõe novas sobretaxas alegando combate ao trabalho forçado.

A União Europeia (UE) espera que os Estados Unidos cumpram integralmente o acordo comercial vigente entre as partes. A posição foi reafirmada pela Comissão Europeia nesta sexta-feira (24), em resposta ao anúncio do governo de Donald Trump sobre novas tarifas aplicadas a produtos importados, sob a justificativa de combater o trabalho forçado nas cadeias produtivas globais.

O impacto dessas decisões transcende a diplomacia, afetando diretamente a previsibilidade econômica de empresas que dependem dessas trocas. Enquanto o bloco europeu reforça que já cumpriu os compromissos estabelecidos, a medida americana gera incertezas para o Brasil e outros parceiros, elevando a carga tarifária em itens específicos para até 37,5%.

As tratativas, iniciadas após um encontro em um campo de golfe de Trump na Escócia, resultaram em um compromisso que envolvia a eliminação de tarifas sobre produtos industriais e maior acesso agrícola. A cobrança atual ocorre mesmo após o Parlamento Europeu ter aprovado, em 16 de junho, a redução de tarifas para diversos produtos americanos.

Por outro lado, o Reino Unido declarou que suas relações comerciais com Washington permanecem inalteradas, mantendo tarifas zero para setores como whisky e tecnologia médica. O governo britânico ressaltou que segue adotando protocolos internos rigorosos contra o trabalho forçado.

A nova política tarifária dos EUA fundamenta-se em investigações do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Contudo, a estratégia enfrenta ceticismo. Dados da fundação Walk Free apontam que os próprios Estados Unidos lideram o ranking de importações com risco de trabalho forçado, movimentando US$ 169,6 bilhões anuais, enquanto especialistas questionam a falta de evidências concretas nas acusações contra parceiros como o Brasil.

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