BRASIL FOI EXCLUÍDO

União Europeia exclui Brasil de exportação de carne; Argentina, Paraguai e Uruguai seguem liberados

Ilustração de bandeiras representando o bloco Mercosul e a União Europeia.
Imagem ilustrativa de bandeiras do Mercosul e da União Europeia, representando o acordo comercial.

Decisão da UE impacta exportação de carne brasileira para o bloco europeu, enquanto outros parceiros do Mercosul permanecem autorizados. Medida tem data para entrar em vigor em 3 de setembro de 2026.

A União Europeia (UE) tomou a decisão de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal para o bloco, tornando-o o único membro do Mercosul afetado por novas restrições sanitárias. Argentina, Paraguai e Uruguai, por outro lado, mantiveram sua permissão para vender esses produtos aos 27 países da UE. A resolução foi publicada pela Comissão Europeia na última sexta-feira, 5 de junho de 2026, e representa um golpe para um dos mercados mais significativos para o agronegócio brasileiro. O bloco europeu é o segundo principal destino das exportações brasileiras de carne em receita, ficando atrás apenas da China. Essa exclusão ocorre em um momento delicado de aproximação comercial entre os blocos, poucos meses após o início da aplicação provisória do acordo entre Mercosul e União Europeia. Apesar disso, a Comissão Europeia assegura que a medida se restringe ao cumprimento de exigências sanitárias, sem relação direta com o tratado comercial. O motivo da exclusão brasileira, segundo o regulamento europeu, reside na insuficiência de informações apresentadas pelo país para comprovar a integral conformidade com as regras da UE sobre o uso de determinados antimicrobianos na produção animal até setembro de 2026. A legislação europeia proíbe a importação de produtos de origem animal provenientes de sistemas produtivos que empregam certos antimicrobianos para estimular crescimento ou aumentar a produtividade. Bruxelas justifica a restrição citando que o uso inadequado dessas substâncias contribui para a resistência bacteriana, um problema global de saúde pública. Por essa razão, o Brasil foi removido da lista de nações habilitadas a exportar para a União Europeia produtos de categorias como bovinos, aves, equídeos, aquicultura, mel e tripas. Caso a restrição se concretize, o impacto no setor exportador brasileiro pode ser substancial. Em 2025, as vendas de carne bovina ao bloco europeu somaram US$ 1,048 bilhão, seguidas por carne de frango (US$ 762,9 milhões), carne de peru (US$ 15,7 milhões), carne suína (US$ 1 milhão), carne de cavalo (US$ 1 milhão), carne ovina (US$ 144 mil) e carne de pato (US$ 24 mil). O total dessas vendas alcançou aproximadamente US$ 1,8 bilhão no ano passado. Relatos indicam que não houve pedidos posteriores de complementação de dados nem alertas prévios sobre a potencial insuficiência das informações fornecidas pelo Brasil. A medida, embora oficializada, ainda não entrou em vigor, com seus efeitos previstos para iniciar em 3 de setembro de 2026.

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