CONTROVÉRSIA ACADÊMICA
UFRN sob investigação do MPF por espetáculo "PAPANGÚ"
Performance com nudez explícita no DEART/UFRN gera queixa sobre acesso de menores e possível violação do ECA.
A polêmica em torno da performance “PAPANGÚ” intensificou-se nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, após o Vereador Matheus Faustino, do União Brasil, protocolar uma representação no Ministério Público Federal (MPF). O parlamentar solicita investigação sobre as cenas de nudez explícita apresentadas no Departamento de Artes (DEART/UFRN), argumentando sobre a dificuldade de controle de acesso de menores em um espaço público universitário e levantando a hipótese de violação ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A controvérsia coloca em xeque a liberdade de expressão artística frente à proteção do público vulnerável e a gestão de eventos em instituições de ensino, gerando um debate crucial sobre os limites e responsabilidades culturais no ambiente acadêmico.
Alexandre Américo, bailarino neurodivergente e doutorando em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), viu seu trabalho novamente no centro das atenções. O espetáculo "PAPANGÚ", que explora a morte sob uma perspectiva afrocentrada através de dança, símbolos e elementos das culturas populares brasileiras, é descrito como uma obra que busca a transformação, não o fim, e promete uma experiência sensorial e reflexiva. As apresentações ocorrem na Galeria Laboratório, no prédio anexo do DEART/UFRN.
Com uma década dedicada à pesquisa poética e cinética, Américo investiga a fundo as conexões entre corpo, chão, tradição e coletividade. A sinopse da obra a apresenta como um "corpo-bomba" de fragmentos guiados pelo desejo de mudança, onde "a carne quica e o corpo inteiro delira", imersa em forte carga simbólica e visual. A performance, que teve uma sessão nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, às 19h, continua a provocar discussões.
A intensa repercussão nas redes sociais impulsionou a formalização da queixa do Vereador Matheus Faustino. No documento encaminhado ao MPF, ele expressa preocupação com a realização da peça em um local de ampla circulação dentro do campus da UFRN. O parlamentar questiona se a classificação indicativa para maiores de 18 anos foi efetivamente respeitada, dada a alegada facilidade de acesso de menores. A representação pede apuração de possíveis irregularidades administrativas, uma análise rigorosa quanto à conformidade com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e a apresentação de todos os documentos referentes ao financiamento do projeto. O Ministério Público Federal ainda aguarda a análise do caso.
Este episódio levanta questionamentos profundos sobre a autonomia universitária, a curadoria de eventos culturais e a salvaguarda de crianças e adolescentes. A arte, em sua essência provocativa, encontra-se agora sob o escrutínio da lei e da opinião pública, reforçando a necessidade de um diálogo equilibrado entre expressão artística e responsabilidade social.
Crédito: Blog do BG.
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