ALIMENTAÇÃO CRÍTICA
UFRN: Refeições precárias afetam residentes universitários
Falta de jantar aos fins de semana e má qualidade da comida impactam 500 alunos da Residência Universitária; UFRN alega quadro reduzido.
Moradores da Residência Universitária da UFRN levantaram um grave alerta sobre as condições de alimentação oferecidas no campus, denunciando a falta de jantar nos finais de semana e a má qualidade das refeições. Nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, a situação veio à tona, evidenciando o impacto direto na saúde e no desempenho acadêmico de centenas de estudantes que dependem dos serviços do Restaurante Universitário.
Allyfe Ranier, estudante de Engenharia Civil e residente no Campus Central da UFRN, detalhou o cenário. "A falta de jantar no final de semana para os residentes e também a qualidade da comida são as condições que os estudantes relatam. Muitos já encontraram objetos estranhos, comida que não está totalmente cozida ou não está totalmente preparada, então a nossa reclamação hoje sobre o Restaurante Universitário é essa”, denunciou Allyfe, destacando a vulnerabilidade dos que dependem exclusivamente da instituição.
Juliano Oliveira, outro universitário e morador, reforçou o desabafo. "A questão da alimentação aqui da UFRN está péssima. No final de semana nós recebemos uma quentinha depois do almoço para o jantar, basicamente a gente pode dizer que é arroz duro, mal cozido e um frango, às vezes cru, que é servido para noite”, relatou Juliano, expondo a precariedade que afeta a dignidade alimentar dos estudantes.
Além da falta de jantar, a comunidade estudantil da Residência Universitária também cobra da reitoria a chamada “quarta refeição”, um suporte alimentar essencial para quem tem jornadas de estudo e trabalho extensas. “Tem gente aqui que estuda o dia inteiro, trabalha o dia inteiro e vai estudar à noite, não consegue se alimentar direito, só janta, e passa até as meia-noite, uma da manhã, duas da manhã, estudando para se manter aqui na universidade”, complementou Juliano, ressaltando o impacto na capacidade de permanência na instituição.
Em resposta às denúncias, o pró-reitor de Assuntos Estudantis da UFRN, Edmilson Lopes, explicou à reportagem que a Residência do Campus abriga atualmente 500 alunos. A ausência do jantar aos fins de semana está ligada diretamente a um quadro de funcionários reduzido nesses dias. “Nós estamos com dificuldades devido ao pessoal, especialmente do regime jurídico único, que são as nutricionistas, cujo quadro, neste momento, não nos permite alargar a jornada de trabalho para atender e realizar esse atendimento pela noite do final de semana, que aliás é um dos poucos restaurantes universitários que trabalham no final de semana, é o da UFRN”, justificou o pró-reitor.
Diante da situação de alguns equipamentos nas residências, Edmilson Lopes garantiu que, até o final daquela semana em que a entrevista foi realizada, novos micro-ondas e fogões chegariam aos prédios da residência. “Esses utensílios, eles não são passíveis de ser adquiridos com os únicos recursos que nós contamos, que são os recursos da PNAES, da Política Nacional de Assistência Estudantil, mas nós vamos, até o final da semana, nós vamos estar garantindo para as residências mais fornos de micro-ondas e pelo menos mais dois ou três fogões”, confirmou Edmilson.
Contudo, a garantia da 4ª refeição, crucial para muitos, permaneceu incerta. O pró-reitor, ao ser questionado sobre o tema, levantou uma ponderação: “Há também uma outra coisa a se perguntar, se a universidade garante almoço, café da manhã e jantar, as famílias não garantem nada para esses estudantes? Qual é a responsabilidade individual e familiar com os estudantes?”, questionou Edmilson Lopes. A fala do pró-reitor, embora tente delimitar responsabilidades, acende um debate sobre o papel da assistência estudantil e a rede de apoio necessária para a permanência de universitários em situação de vulnerabilidade.
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