CULTURA VIVA
UFRN recebe "Papangu", dança que reflete a ancestralidade
Espetáculo gratuito de Alexandre Américo de 11 a 13 de maio de 2026 na Galeria Laboratório do Deart/UFRN.
O espetáculo de dança contemporânea "Papangu", uma obra de profunda reflexão sobre a vida e a ancestralidade, tem suas primeiras apresentações gratuitas na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A partir desta segunda-feira, 11 de maio de 2026, e seguindo até quarta-feira, 13 de maio, a UFRN acolhe a montagem do artista e pesquisador Alexandre Américo. Este trabalho representa o ápice de uma década de pesquisa poética sobre a morte sob uma ótica afrocentrada, convidando o público a uma imersão nas raízes culturais brasileiras.
Com aproximadamente 50 minutos de duração e classificação indicativa para maiores de 18 anos, "Papangu" oferece uma experiência sensorial e reflexiva. A obra investiga a morte não como um fim, mas como um processo de transformação contínuo, estimulando o público a refletir sobre as conexões intrínsecas entre corpo, terra e tradições.
Inspirada em ricas manifestações culturais brasileiras, com destaque para os sambas e expressões populares, a peça busca resgatar a essencial relação do ser humano com o coletivo e com o chão que o sustenta. O espetáculo articula elementos ritualísticos, como o uso de máscaras, e referências que transcendem tempos e territórios, proporcionando um olhar aprofundado sobre identidade, pertencimento e a ancestralidade que nos define.
A estreia acontece às 19h, na Galeria Laboratório do Departamento de Artes (Deart/UFRN), com outras duas apresentações nos dias seguintes. Os ingressos são gratuitos e podem ser retirados antecipadamente pela plataforma Sympla.
Este projeto de "Papangu" foi contemplado em importantes editais de fomento à dança e de apoio à cultura negra. Sua realização conta com o apoio da Fundação José Augusto, Secretaria de Estado da Cultura, Sistema Nacional de Cultura, Política Nacional Aldir Blanc, Ministério da Cultura e Governo Federal, reforçando o valor e o alcance da obra.
A criação de "Papangu" envolve uma equipe multidisciplinar talentosa: a direção é de Pedro Vítor, a direção coreográfica de Laura Samy, a pintura corporal de Caroline Santos e a máscara foi desenvolvida por Mateus Barros. O espaço cênico apresenta um piso de papelão concebido por Maria Antônia, enquanto a pesquisa sonora é de Tinoc e a iluminação de Cléo Morais. O processo criativo também incluiu residências artísticas com a valiosa colaboração de Ana Cláudia Viana, Cícero Mendes e Iara Isidoro.
Egresso do curso de Dança da UFRN, Alexandre Américo sublinha a importância de retornar ao espaço que o formou. "É um compromisso que eu tenho tentado firmar. Eu me sinto na responsabilidade de dar continuidade aos movimentos educacionais dos quais participei e sou fruto", afirma. Sobre a obra, ele ressalta que o trabalho propõe um olhar crítico sobre os padrões da dança contemporânea e expande as possibilidades de expressão: "É um compartilhamento sensível, que mostra outras formas de estar no mundo e abrir caminho."
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