INOVAÇÃO VERDE
UFRN desenvolve método para reciclar óleo de perfuração
Tecnologia inédita transforma resíduos de olefina em recurso valioso, com alta eficiência e baixo custo, anunciada nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026.
A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) revelou, nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, o desenvolvimento de uma técnica pioneira que promete revolucionar a gestão de resíduos na indústria do petróleo. Pesquisadores da instituição criaram um método inovador para recuperar o óleo residual presente em cascalhos de perfuração à base de olefina, transformando um passivo ambiental em um recurso valioso e reutilizável. Essa descoberta representa um passo crucial rumo a práticas mais sustentáveis e eficientes, com impactos positivos tanto para o meio ambiente quanto para a economia do setor.
O processo, batizado de Método de Recuperação de Óleo Residual a partir de Resíduos de Perfuração à Base de Olefina, utiliza um sistema físico-químico integrado. Sua função é separar a fase oleosa dos resíduos gerados durante a perfuração de poços, um desafio persistente para a indústria.
A tecnologia combina cuidadosamente tensoativos não iônicos etoxilados, aquecimento controlado e centrifugação. Essa sinergia promove a desestabilização das emulsões de óleo e água presentes nos resíduos, permitindo a separação eficiente do óleo com alta pureza.
Segundo o pesquisador Alcides de Oliveira Wanderley Neto, um dos líderes do projeto, o Método surge como uma alternativa técnica e economicamente viável, além de ser ambientalmente mais segura para o tratamento desses complexos resíduos. "Nossa abordagem busca não apenas resolver um problema, mas criar uma nova oportunidade de valor a partir do que antes era descartado", explica.
Os testes de laboratório indicam uma surpreendente alta eficiência na separação da fase oleosa, superando os métodos convencionais atualmente em uso. Um dos grandes diferenciais é a simplicidade operacional do processo, que pode ser realizado com agitação mecânica comum, sem a necessidade de equipamentos complexos ou insumos de alto custo, facilitando sua eventual adoção industrial.
A pesquisadora Aeryslânnia Moreira da Nóbrega ressalta outro ponto fundamental: a tecnologia dispensa o uso de solventes tóxicos ou inflamáveis. "Isso reduz significativamente os riscos operacionais para os trabalhadores e minimiza drasticamente os impactos ambientais potenciais, tornando o processo mais limpo e seguro", afirma Aeryslânnia.
A aplicação da tecnologia é prioritariamente voltada ao vasto setor de petróleo e gás. Ela pode ser implementada em diversas frentes, como plataformas offshore, instalações terrestres e em Unidades de Tratamento de Resíduos Industriais (UTRIs). O potencial é de recuperar óleo de alto valor agregado, o que não só diminui o volume de descarte de resíduos perigosos, mas também insere um novo fluxo de matéria-prima na cadeia produtiva.
Para o pesquisador Murilo Miguel Alencar Guerra, o impacto econômico é inegável. "Ao transformar resíduos em insumos reaproveitáveis, o método não apenas economiza recursos que seriam gastos com descarte, mas também gera novas fontes de receita e eficiência para as empresas", destaca Murilo.
Atualmente, a tecnologia está na fase de prova de conceito em escala laboratorial, com validação obtida por meio de ensaios controlados que estabeleceram as condições ideais de operação. Como próximos passos, o grupo de pesquisa da UFRN planeja otimizar e ampliar a escala do processo, avaliando sua aplicação em condições industriais reais. A expectativa é que essa inovação contribua de forma decisiva para a adoção de práticas mais sustentáveis e responsáveis na gestão de resíduos da indústria petrolífera, beneficiando o planeta e as futuras gerações.

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