DEFESA CONTRA VIOLÊNCIA
Uern oferece curso gratuito de defesa pessoal para mulheres em Natal
Iniciativa do projeto "Todos por Elas" ensina Krav Magá e reforça canais de denúncia. Curso segue até 27 de junho.
A Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) iniciou em Natal um curso gratuito de defesa pessoal voltado para mulheres, como resposta ao crescente cenário de violência contra a mulher. As aulas semanais começaram no sábado, 23 de maio de 2026, e seguirão até 27 de junho, com o objetivo de capacitar trinta inscritas em técnicas de Krav Magá para situações de perigo.
A iniciativa integra o projeto de extensão “Todos por Elas: autodefesa e proteção digital”. Desenvolvido pelo Departamento de Computação da Uern Natal, o projeto visa o enfrentamento à violência feminina por meio de atividades que abrangem autodefesa, segurança digital, orientações sobre legislação e divulgação de canais de denúncia, além de fomentar redes de apoio.
Participantes expressam a urgência da defesa pessoal. Ludlizy Braga Praxedes, estudante de Direito de 23 anos, considera o tema um "critério básico para toda mulher" e defende que deveria ser ensinado no ensino médio. Josenilda Fernandes, gestora de 44 anos, relata um antigo interesse em aulas práticas e ressalta a vulnerabilidade feminina: "O mundo não está muito confiável. A gente anda sozinha na rua e, sem noção de defesa, a gente fica vulnerável demais." Ela pontua que o perigo se estende por todas as zonas da cidade.
Daniela Tavares, educadora de 42 anos, trabalha a temática da defesa pessoal com suas alunas e busca aprimorar sua prática de Krav Magá para compartilhar com elas. "Ter a percepção do perigo é muito importante. Vivemos numa sociedade muito violenta. E não é só fora de casa, há também várias situações internas", afirma. Ela valoriza a apropriação da prática para repassar o conhecimento às suas alunas.
O treinamento prático, conduzido por Bergson Santos, estudante de Ciência da Computação da Uern, foca no Krav Magá, um sistema de defesa pessoal adaptado para a violência urbana. Santos explica que o método ensina técnicas acessíveis, permitindo que qualquer pessoa possa se defender mesmo com conhecimentos básicos. "É bem melhor você saber [técnicas de autodefesa] e não precisar usar do que precisar e não saber", observa, enfatizando que a agressão, em qualquer grau, requer preparo.
Os dados evidenciam a relevância da iniciativa. Em 2025, o Ligue 180 registrou 155.111 denúncias de violência contra a mulher em todo o país, com 1.648 delas no Rio Grande do Norte. Nos quatro primeiros meses de 2026, foram 60.952 denúncias nacionais, sendo 449 no RN.
O primeiro trimestre de 2026 também apontou um recorde de feminicídios na série histórica iniciada em 2016, com 399 vítimas no Brasil e 10 no Rio Grande do Norte, que apresentou um aumento de 100% nos casos, mesmo índice de Sergipe e Amazonas. O Amapá registrou a maior alta, com 250%.
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