SEGURANÇA DIGITAL
UE projeta fim da tecnologia chinesa em US$ 400 bilhões
Custo estimado em 367,8 bilhões de euros entre 2026 e 2030, afetando energia e telecomunicações.
A União Europeia (UE) avança com um plano significativo e custoso para reforçar sua segurança digital. Governos de todo o bloco e o Parlamento Europeu, atualmente nas fases iniciais de um processo legislativo, buscam eliminar gradualmente o uso de equipamentos de fornecedores chineses. Esta medida estratégica, detalhada nesta quarta-feira, 06/05/2026, é acompanhada por uma recomendação da Comissão Europeia, feita na segunda-feira, para restringir o financiamento de projetos da UE que envolvam inversores de energia de "fornecedores de alto risco". O objetivo central é proteger a infraestrutura vital do bloco de potenciais vulnerabilidades, embora a iniciativa possa custar mais de US$ 400 bilhões nos próximos cinco anos, gerando um impacto econômico considerável e tensões geopolíticas com a China.
A Câmara de Comércio da China na União Europeia (CCCEU) alertou nesta quarta-feira, 06/05/2026, que a ambiciosa transição da UE pode atingir a marca de US$ 400 bilhões. Um estudo encomendado pela CCCEU, realizado pela KPMG, projeta que a substituição forçada de fornecedores chineses em 18 setores-chave custaria à UE 367,8 bilhões de euros (equivalente a US$ 432,83 bilhões) entre os anos de 2026 e 2030. Os custos envolveriam a substituição de hardware existente, a contabilização de perdas em ativos e a gestão de uma provável queda na eficiência, além de potenciais atrasos nos esforços de digitalização do continente.
Os setores de energia e telecomunicações, considerados pilares das transições digital e verde da UE, seriam os mais diretamente afetados. A Alemanha, em particular, enfrentaria o maior ônus, com uma estimativa de 170,8 bilhões de euros em custos, quase metade do valor total projetado. Outros seis países-membros — França, Itália, Espanha, Polônia e Países Baixos — também veriam perdas superiores a 10 bilhões de euros cada.
A preocupação com a segurança digital é o motor da decisão. A Comissão Europeia destacou que o uso de inversores de energia de "fornecedores de alto risco" poderia, em casos extremos, levar ao desligamento remoto das redes elétricas de um Estado-membro, uma vulnerabilidade inaceitável para a soberania e estabilidade do bloco.
Contudo, a medida não passa sem resistência. A Huawei, uma das empresas chinesas mais proeminentes e prováveis de serem afetadas, criticou duramente a iniciativa. O governo chinês, por sua vez, ameaçou a UE com a adoção de medidas retaliatórias na semana passada, intensificando a disputa comercial e tecnológica.
É importante ressaltar que os governos da UE e o Parlamento Europeu estão apenas nas fases iniciais do processo legislativo. Isso significa que as regras propostas ainda passarão por um longo caminho até se tornarem lei, e é provável que o texto final sofra diversas alterações antes de sua promulgação.
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