JUSTIÇA EUROPEIA
UE endurece posição contra israelenses
Ministros europeus aprovam medidas contra ultranacionalistas israelenses e lideranças do Hamas. Decisão unânime marca endurecimento nas relações com Israel e governo de Benjamin Netanyahu.
A União Europeia, por meio de seus ministros das Relações Exteriores, aprovou, nesta segunda-feira, 11 de maio de 2026, um novo e rigoroso pacote de sanções contra colonos israelenses. A medida visa indivíduos e organizações acusados de envolvimento em atos de violência contínuos contra civis palestinos na Cisjordânia, marcando um ponto crucial na deterioração das relações entre o bloco e o governo de Benjamin Netanyahu. Esta ação reforça a pressão sobre Israel e sinaliza uma mudança de postura europeia diante da escalada de tensões na região.
A aprovação unânime pelos ministros das Relações Exteriores da UE só foi possível após a saída do ex-primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán. Conhecido como um dos principais aliados de Israel na Europa, Orbán utilizou o poder de veto da Hungria nos últimos anos para barrar iniciativas semelhantes, o que agora permite ao bloco europeu adotar uma postura mais firme.

O jornal israelense Haaretz revelou que a lista de sancionados inclui organizações ultranacionalistas como a Regavim, diretamente ligada ao ministro israelense Bezalel Smotrich, um proeminente defensor da expansão dos assentamentos judaicos na Cisjordânia. Para garantir o apoio de alguns membros do bloco, o pacote de sanções também abrange lideranças do Hamas, equilibrando as demandas europeias.
A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, expressou a urgência da decisão em sua rede X: "Já era hora de sairmos do impasse e partirmos para a ação. Extremismos e violência têm consequências."
A reação do governo israelense não tardou. O chanceler Gideon Sa’ar acusou a UE de perseguir cidadãos israelenses "devido às suas opiniões políticas e sem qualquer fundamento". Bezalel Smotrich, por sua vez, instou Benjamin Netanyahu a acelerar os planos de anexação de territórios palestinos em resposta. O ministro Itamar Ben-Gvir foi ainda mais incisivo, rotulando o bloco europeu de "antissemita".
Embora críticos considerem as medidas ainda insuficientes, a decisão simboliza uma guinada gradual na postura europeia frente à guerra em Gaza e à contínua expansão dos assentamentos israelenses. Martin Konený, diretor do Projeto Europeu para o Oriente Médio em Bruxelas, declarou ao jornal britânico Guardian que "Agora a discussão sobre influência e pressão voltou à mesa."
A pressão internacional sobre Israel intensificou-se dramaticamente desde o início da guerra, deflagrada após os ataques do Hamas em outubro de 2023. A destruição massiva na Faixa de Gaza e o alarmante número de vítimas civis têm erodido a imagem de Israel na Europa. Mais de 70 mil vidas foram perdidas no conflito, e ao menos quatro nações europeias já se uniram à ação movida pela África do Sul contra Israel na Corte Internacional de Justiça.
Pesquisas recentes revelam uma deterioração inédita da percepção pública sobre Israel no continente europeu. Um levantamento do Pew Research Center indicou que mais de 60% dos entrevistados em oito países europeus nutrem uma opinião desfavorável sobre Israel. Paralelamente, uma pesquisa da YouGov apontou níveis recordes de desaprovação.
A escalada da violência na Cisjordânia também impulsionou o endurecimento da postura europeia. Conforme o Escritório da ONU para Coordenação de Assuntos Humanitários, chocantes 1.091 palestinos perderam a vida na região entre outubro de 2023 e maio deste ano. A organização Acled documentou um aumento nos ataques em 29 áreas da Cisjordânia, especialmente após o início da ofensiva israelense contra o Irã.
A crescente pressão sobre Israel agora se manifesta também em arenas culturais e esportivas. Nações como Islândia, Irlanda, Holanda, Eslovênia e Espanha declararam boicote ao Festival Eurovisão da Canção em protesto contra a participação israelense. Durante a Bienal de Veneza, artistas e delegações promoveram manifestações pró-Palestina, clamando pela exclusão de Israel do evento.
No cenário esportivo, intensifica-se a pressão sobre a Uefa e a Fifa para que suspendam clubes e seleções israelenses de competições internacionais. Em março, a Fifa, embora tenha rejeitado um pedido da Federação Palestina de Futebol para excluir equipes ligadas a assentamentos na Cisjordânia, impôs uma multa à federação israelense por violações relacionadas à discriminação.
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