DEFESA E ECONOMIA
Ucrânia quer exportar tecnologia de drones para a América Latina
Após consolidar indústria bélica, governo de Volodymyr Zelensky busca firmar acordos de cooperação em segurança para fortalecer a economia nacional.
A Ucrânia anunciou a intenção de expandir sua rede de parcerias estratégicas, incluindo o interesse em negociar tecnologias de defesa com nações da América Latina. A decisão, revelada em entrevista coletiva na terça-feira (21/7) pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Heorghii Tykhyi, visa consolidar o papel do país como um provedor global de sistemas não tripulados e fomentar a recuperação econômica ucraniana.
O anúncio ocorreu sob o som dos alertas de defesa aérea em Kiev, durante um ataque interceptado pelas forças locais. O incidente serviu, segundo o diplomata, como uma demonstração prática da eficácia do sistema de defesa ucraniano, que neutraliza cerca de 90% dos veículos lançados pela Rússia diariamente. Para o governo de Volodymyr Zelensky, a capacidade de proteção do território é o principal argumento de venda para acordos de cooperação de longo prazo.
“Estamos trabalhando para transformar a Ucrânia em um instrumento de política externa. Nosso maior trunfo são os acordos de drones que propomos a países ao redor do mundo, consistindo em contratos de 10 anos para o desenvolvimento da cooperação em segurança”, afirmou Heorghii. O plano não se limita ao setor militar; os equipamentos possuem aplicações civis, como o monitoramento de fronteiras e suporte à agricultura.
A estratégia segue o modelo de parcerias já estabelecido com nações do Golfo Pérsico, onde a colaboração abrange treinamento, implementação e transferência de tecnologia. Com mais de 500 fabricantes ativos, a indústria local atingiu a capacidade de produzir 10 milhões de unidades anualmente, uma escala que o governo pretende dobrar para 20 milhões nos próximos anos.
O fortalecimento da indústria de defesa é um pilar da estratégia de Volodymyr Zelensky para equilibrar as contas públicas. Com uma dívida externa de US$ 115 bilhões, a exportação desses sistemas, que teve suas restrições removidas no início do ano, torna-se vital para a reconstrução do país após o impacto devastador da guerra iniciada em 2022.
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