ATAQUE EM LARGA ESCALA

Ucrânia lança maior ataque de drones contra Moscou; incêndios e interrupção em aeroportos marcam dia

Imagem aérea mostrando fumaça densa subindo de uma área urbana em Moscou, com a proximidade de um incêndio.
Incêndio visível em Moscou após ataque de drones ucranianos.

Decisão ucraniana visa impactar o cidadão russo e retaliar ofensivas. Mais de 180 drones foram derrubados pelas defesas antiaéreas russas, conforme autoridades.

A Ucrânia lançou nesta quinta-feira (18) o maior ataque com drones contra Moscou dos últimos dois anos, provocando incêndios significativos na capital da Rússia e em suas imediações. A ação interrompeu as operações dos principais aeroportos, resultando no atraso de centenas de voos e afetando diretamente a vida de civis. Vários drones atingiram uma importante refinaria da capital russa, no distrito de Kapotnia. O prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, descreveu o incidente como um ataque "em larga escala", embora não tenha detalhado a extensão dos danos. Grandes colunas de fumaça foram avistadas sobre a periferia sul da capital. Em resposta às ações, o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, declarou nas redes sociais que o ataque é uma "resposta plenamente justificada aos ataques russos contra nossas cidades". Ele acrescentou que "o povo russo comece a sentir que é um homem, [Vladimir] Putin, quem trava esta guerra, enquanto as pessoas comuns pagam o preço". Zelenski reiterou a posição ucraniana: "Nós não queremos esta guerra e jamais a quisemos (...) Mas se a Ucrânia queima, a sua Moscou também vai queimar". Este incidente ocorre na mesma semana em que outra refinaria em Moscou, a MNPZ, já havia sofrido um ataque com drones que causou incêndio e danos. A refinaria MNPZ é responsável por mais de um terço das necessidades de combustível da capital russa. A agência estatal russa Tass classificou o ataque como o maior contra Moscou em pelo menos dois anos. A ofensiva coincide com a reunião do presidente Vladimir Putin com líderes da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático) em Kazan. Putin não fez menção ao ataque em seu discurso de abertura do evento. Esta é a segunda vez no mês que a Ucrânia realiza um ataque de grande porte durante um evento internacional organizado na Rússia; no início de junho, as forças ucranianas atingiram a região de São Petersburgo durante um fórum econômico. O ataque forçou o fechamento temporário dos aeroportos de Moscou, com o aeroporto Sheremetyevo relatando a transferência de passageiros para "locais seguros". Outros drones atingiram um edifício residencial na região de Zhukovsky, e destroços de um aparelho causaram um incêndio em um centro comercial próximo à capital. Segundo o prefeito Sobyanin, as defesas antiaéreas russas derrubaram 180 drones que se aproximavam de Moscou. O Ministério da Defesa afirmou ter interceptado mais de 500 drones ucranianos em todo o país durante a madrugada. A Ucrânia tem intensificado operações com drones contra refinarias de petróleo nos últimos meses, visando um ativo crucial para o esforço de guerra russo, em um cenário de estagnação nas negociações diplomáticas. Zelenski descreve esses ataques como "sanções de longo alcance", apelando por passos diplomáticos para encerrar o conflito. Em contrapartida, a Rússia lançou mais de 200 drones e diversos mísseis balísticos contra a Ucrânia entre a noite de quarta e a manhã de quinta, conforme a Força Aérea ucraniana. Enquanto a guerra avança, com centenas de milhares de mortes desde fevereiro de 2022, Putin busca projetar normalidade com eventos como o de Kazan. Contudo, os ataques recentes levaram a mudanças práticas, como a proibição de drones e aeronaves civis leves sobrevoando o espaço aéreo de Moscou e restrições à publicação de informações sobre locais atingidos. Este cenário de escalada militar ocorre em meio a discussões internacionais sobre o fim do conflito, como a recente reunião do G7 na França, onde o presidente americano Donald Trump defendeu um acordo.

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