GEOPOLÍTICA E ENERGIA

Ucrânia interrompe ataques a petroleiros em porto russo após pedido dos EUA

Vista aérea das operações no porto de Novorossiysk no Mar Negro.
Instalações portuárias no Mar Negro operadas pelo Consórcio do Oleoduto do Cáspio (CPC).

Decisão atende a apelo dos Estados Unidos para evitar a desestabilização dos mercados globais de petróleo e proteger operações de empresas americanas.

A Ucrânia suspendeu as operações com drones direcionadas a petroleiros que operam no porto russo de Novorossiysk, localizado no Mar Negro. A medida foi formalizada após um apelo direto do vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, conforme reportou o jornal Financial Times nesta quarta-feira (12), fundamentado em informações de autoridades ucranianas.

A decisão visa mitigar preocupações americanas sobre a estabilidade dos mercados energéticos globais. O receio principal envolvia o impacto das investidas em empresas do setor e no fluxo de petróleo bruto proveniente do Cazaquistão, transportado via terminal do Consórcio do Oleoduto do Cáspio (CPC). Sob o novo entendimento, Kiev comprometeu-se a preservar as instalações do CPC e embarcações estrangeiras, contanto que estas não estejam sob sanções ucranianas ou transportem cargas de origem russa.

O impacto dessas tensões sobre a economia é mensurável: em julho, ataques interromperam cerca de um quinto do carregamento do CPC, resultando em uma queda de 14% na produção de petróleo do Cazaquistão em relação ao mês anterior. Gigantes do setor, como a Chevron e a Exxon Mobil, que operam na região, têm sido diretamente afetadas pelo prolongado conflito.

Apesar do acordo no Mar Negro, a violência persiste em outras frentes. Na madrugada desta quarta-feira (12), um ataque com drones em Novorossiysk resultou na morte de uma criança e deixou feridos, além de causar danos estruturais a imóveis residenciais, segundo relatos do prefeito Andrei Kravchenko e do governador Veniamin Kondratyev. Simultaneamente, investidas russas atingiram infraestruturas em Zaporizhzhia e Odesa, evidenciando a natureza contínua e volátil da guerra, que, segundo Volodymyr Zelensky, busca agora um caminho diplomático proposto aos negociadores americanos.

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