CRISE NA ILHA
Turismo em Cuba entra em colapso após bloqueio petrolífero dos EUA
Queda de 58% na visitação estrangeira reflete o impacto das sanções econômicas; setor hoteleiro enfrenta ociosidade e falência.
A indústria hoteleira de Cuba enfrenta uma crise sem precedentes, marcada por hotéis vazios e o fechamento de rotas internacionais. O cenário foi consolidado neste domingo, 12/07/2026, diante dos efeitos do bloqueio petrolífero imposto pelos EUA, que, ao restringir o abastecimento de combustíveis e sancionar o setor estatal, tornou a ilha um destino praticamente inacessível para estrangeiros.
O impacto desta decisão na dignidade da população é profundo. Com o colapso da receita turística, o país sofre com o agravamento da escassez de suprimentos básicos. Em Havana Velha, bairro histórico fundado no século XVI e antes vibrante, a ausência de visitantes transformou ruas em cenários de desolação. Elio, um músico tradicional cubano, relata a escassez de público ao afirmar que, em dias comuns, apenas um transeunte circula pela área a cada hora.
Dados do governo cubano confirmam a gravidade da situação: nos primeiros cinco meses de 2026, a ilha recebeu apenas 360 mil turistas, um declínio de 58% frente ao mesmo período do ano anterior. O contraste com a República Dominicana, que atrai mais de dez vezes o volume de visitantes, ressalta a desvantagem competitiva gerada pelo isolamento econômico.
As medidas punitivas do governo Trump, que incluem sanções a empresas estrangeiras que negociam com o setor militar cubano, forçaram redes hoteleiras internacionais a abandonar o país. Operadoras como a Cubania Travel, do Reino Unido, suspenderam atividades, classificando a situação atual como uma forma de "turismo macabro" que ignora o sofrimento local.
Em resposta à falência do modelo estatal, o presidente Miguel Díaz-Canel anunciou em junho de 2026 a possibilidade de cubanos — tanto residentes quanto exilados — assumirem a gestão dos hotéis. Contudo, analistas como o economista Pedro Monreal, radicado na Espanha, apontam que a proposta é impraticável. Segundo Monreal, o setor privado carece de capital e logística para substituir as grandes cadeias hoteleiras, sendo que o Estado, mesmo em crise, persiste no investimento em novas estruturas, enquanto a infraestrutura básica de saúde e educação sofre com a escassez de recursos.
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