DIPLOMACIA E TARIFAÇO
Diplomacia brasileira avalia ida à OMC como gesto simbólico contra tarifaço dos EUA
Governo Luiz Inácio Lula da Silva estuda resposta a medidas americanas enquanto entidades alertam para riscos de escalada comercial.
Integrantes da diplomacia do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiram buscar a Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar o recente aumento de tarifas aplicado pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A movimentação responde a dois novos encargos impostos pela Casa Branca: um de 25%, sob a justificativa de supostas práticas desleais, e outro de 12,5%, relacionado a alegações sobre trabalho forçado na cadeia produtiva.
A decisão, classificada pelo Palácio do Planalto como necessária diante do que considera um caráter "arbitrário e injustificado" da medida, visa também acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade. No entanto, internamente, diplomatas reconhecem que o recurso à OMC possui um peso primordialmente político. O objetivo central é "marcar posição" em um cenário onde a eficácia prática da organização está severamente limitada.
A eficácia da medida enfrenta obstáculos técnicos significativos. Desde 2019, o órgão de apelação da OMC permanece paralisado após bloqueios sistemáticos a nomeações de juízes iniciados sob a gestão de Donald Trump. Sem a capacidade plena de julgar litígios, a entidade perdeu o protagonismo que teve em 2004, quando o Brasil conseguiu êxito histórico na disputa contra subsídios ao algodão dos EUA.
O impacto potencial dessa disputa gera apreensão no setor produtivo. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) manifestaram resistência à aplicação da Lei de Reciprocidade. Para essas entidades, a retaliação pode desencadear uma escalada que prejudicaria diretamente empresas, trabalhadores e consumidores, defendendo que o Brasil priorize o diálogo diplomático para proteger a estabilidade do comércio bilateral.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário