CÂNCER NO CÉREBRO
Tumores cerebrais podem mimetizar AVC e depressão, alertam especialistas
Neurocirurgião e neuropediatra destacam importância da identificação precoce de sintomas, que podem ser confundidos com outras condições. Campanha Maio Cinza alerta sobre a doença.
O neurocirurgião Rivus Arruda e a neuropediatra Iana Arruda alertaram para a possibilidade de tumores cerebrais mimetizarem sintomas de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e depressão. Durante entrevista à rádio 97 FM, na quarta-feira, 21 de maio de 2026, como parte da campanha Maio Cinza, os especialistas enfatizaram que os sinais da doença podem surgir de forma silenciosa e serem facilmente confundidos com outras condições, impactando a saúde e o bem-estar dos pacientes.
Segundo Rivus Arruda, o nome da campanha, Maio Cinza, faz referência tanto à massa cinzenta do cérebro quanto à dificuldade de identificar os sintomas em estágios iniciais. "O cérebro, além de ser constituído por uma massa cinzenta, os sintomas cerebrais decorrentes de uma lesão expansiva, de um tumor intracraniano, muitas vezes podem ser sintomas que iniciam de forma muito sutil", explicou. Ele detalhou que os sinais variam conforme o tipo e a localização do tumor, desmistificando a ideia de que todos apresentem manifestações idênticas.

Iana Arruda destacou que, embora não sejam frequentes, tumores cerebrais representam o segundo tipo de câncer mais comum em crianças, superado apenas pela leucemia. "O tumor cerebral está classificado como o segundo principal tipo de câncer na criança, perdendo só para a leucemia", afirmou. A neuropediatra reforçou a importância da identificação precoce para otimizar as chances de tratamento e cura, salientando que "é de extrema relevância a gente esclarecer sobre o tema, porque, como o Rivus falou, às vezes os sintomas são muito sutis."
Entre os principais sinais em crianças, a médica citou dores de cabeça persistentes, especialmente ao deitar. "Aquela criança que nunca sentiu dor de cabeça passa a ter uma dor de cabeça persistente todos os dias. Quando deita, a dor de cabeça aparece. Acorda, ‘mãe, estou com dor de cabeça’. Então liga um alerta", alertou. Episódios frequentes de vômito sem relação com alimentação, descritos como "vômitos em jato", também foram mencionados como sinais de alerta. Outras manifestações incluem perda de marcos do desenvolvimento, desequilíbrio, alterações na fala, estrabismo e queda da pálpebra, "sinais que precisam ser vistos e encaminhados com brevidade para uma avaliação neurológica."
Em crianças, Rivus Arruda apontou que os tumores mais comuns tendem a se localizar na região inferior do cérebro, próxima à coluna vertebral, afetando o cerebelo e provocando sintomas ligados ao equilíbrio e aos nervos cranianos, como "muitos sintomas no cerebelo, vômito, náusea, sintomas do tronco cerebral". Já em adultos, a maior incidência ocorre na região superior do cérebro, manifestando-se frequentemente por dor de cabeça, alterações na fala, dificuldades motoras e mudanças de comportamento. "Muitas vezes o tumor intracraniano é diagnosticado no pronto-socorro como se fosse um AVC", comentou.
O neurocirurgião também ressaltou que tumores na região frontal podem simular transtornos psiquiátricos. "Tumores localizados na região frontal do cérebro, que é o comportamento, podem simular doenças psiquiátricas", disse. Ele relatou casos em que pacientes foram erroneamente tratados por anos com acompanhamento psiquiátrico antes da descoberta do tumor. "Muitas vezes o paciente é acompanhado por um psiquiatra, toma remédio controlado e meses ou anos depois, quando vai fazer uma investigação mais a fundo, é um tumor cerebral localizado nessa região."
Sobre o esquecimento frequente, Rivus Arruda ponderou que, isoladamente, o sintoma "hoje em dia é um sintoma muito frequente e isso não é sinônimo de doença". No entanto, pode ser um sinal inicial de alterações cognitivas em alguns casos. Quanto a exames preventivos, Iana Arruda esclareceu que não há recomendação para ressonâncias magnéticas periódicas em pessoas assintomáticas na neurologia, pois "a gente vai investigar com exames quando você tem um sintoma". O principal instrumento de investigação inicial continua sendo o exame neurológico clínico, que busca identificar assimetrias entre os lados do corpo. "O que chama atenção na neurologia é assimetria", concluiu.
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