DEBATE SOBRE IA

TSE busca consenso sobre uso de IA e deepfake em caso envolvendo Jair Bolsonaro

Ministro Kassio Nunes Marques em plenário do Supremo Tribunal Federal.
Ministro Nunes Marques durante sessão no plenário do STF.

Corte Eleitoral discute precedentes para propaganda política e avalia limites da tecnologia após ação contra campanha de Flávio Bolsonaro

Os ministros do TSE buscam alinhar um entendimento jurídico sobre o emprego de IA em campanhas eleitorais, um tema que coloca em xeque a integridade da disputa e a transparência perante o eleitorado. O debate ocorre nesta quinta-feira (13/8), em um encontro articulado pelo presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, após o uso de um avatar de Jair Bolsonaro na campanha de Flávio Bolsonaro (PL).

A discussão ganhou contornos de urgência após a exibição de um vídeo na convenção do PL, realizada em 25 de julho. Na gravação, uma IA de Jair Bolsonaro afirma estar “preso e calado por uma decisão arbitrária”, enquanto convoca apoiadores a receberem Flávio como candidato ao Planalto. O conteúdo gerou uma reação imediata do PT e da Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB), que acionaram o STF e a Justiça Eleitoral sob a alegação de propaganda antecipada e descumprimento de medidas cautelares impostas ao ex-presidente.

O impacto dessas tecnologias na democracia preocupa os integrantes do TSE, que se encontram divididos sobre a punição a ser aplicada. Entre as alternativas em análise, figuram a proibição absoluta do uso de conteúdos sintéticos ou a aplicação de multas pecuniárias aos responsáveis. Enquanto a defesa de Flávio Bolsonaro sustenta que a tecnologia não pode ser vetada, os advogados de Jair Bolsonaro esclareceram, por meio de manifestação, que não houve autorização para o uso da imagem e voz no material.

O cenário é complexo pela tensão institucional entre o TSE e o STF. Ministros do Tribunal demonstram cautela diante da atuação de Alexandre de Moraes, do STF, que monitora descumprimentos de medidas cautelares por parte de Jair Bolsonaro. A percepção de parte do colegiado é de que a interferência de Moraes pode impactar a harmonia entre as Cortes em um período crítico de combate à desinformação.

O Tribunal ainda não definiu a data do julgamento definitivo sobre o avatar, mas o resultado deve servir de base para os demais processos envolvendo inovações digitais nas eleições de 2026. A Justiça Eleitoral já veda o uso de deepfakes para substituir a imagem ou voz de pessoas vivas, independentemente de consentimento, mas o desafio agora é definir a dosimetria das penas em um contexto de disputa acirrada.

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