NEGOCIAÇÕES INTERNACIONAIS
Trump se diz aberto a encontrar líder supremo do Irã em meio a tensões
Presidente dos EUA expressa otimismo sobre diálogo com o Irã, mas declarações de conselheiro iraniano geram cautela; conflitos regionais persistem.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira, 03/06/2026, que o Irã "concordou em não ter armas nucleares" e demonstrou interesse em se reunir com o líder supremo iraniano, aiatolá Motjaba Khamenei. A declaração ocorre em um momento de escalada de tensões e violações do cessar-fogo entre os dois países, tornando a perspectiva de um encontro significativo para a estabilidade regional e global. Em entrevista a um podcast, Trump indicou que Khamenei tem papel ativo nas negociações e expressou desejo de encontrá-lo: "Gostaria de conhecê-lo. Provavelmente nos encontraremos em algum momento, dependendo de como tudo se desenrolar". O presidente americano se mostrou otimista, descrevendo a situação como "evoluindo rapidamente" e sugerindo que um acordo pode se concretizar: "Estamos trabalhando em um acordo, e se isso acontecer, ótimo. Se não acontecer, tudo bem também. Faremos de outra maneira". Contudo, as declarações de Trump contrastam com postagens de Mohsen Rezaei, conselheiro militar de Khamenei, nas redes sociais. Após bombardeios dos EUA a um petroleiro iraniano e à ilha de Qeshm, seguidos por retaliações do Irã contra o Kuwait e o Bahrein, Rezaei emitiu ameaças: "Cada tiro disparado e cada ataque serão respondidos com uma enxurrada de mísseis e drones. O agressor será punido rapidamente". Essa escalada verbal e militar adiciona uma camada de imprevisibilidade ao cenário diplomático. Paralelamente, Trump comentou sua conversa telefônica com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, nesta terça-feira (02/06/2026), admitindo ter se manifestado "um pouco incomodado" com os confrontos entre Israel e o Líbano. Ele afirmou ter mediado a situação, instruindo ambos os lados a cessarem as hostilidades para não prejudicar as negociações com o Irã. O processo de paz tem sido marcado por idas e vindas. Na segunda-feira (01/06/2026), Trump havia sugerido a necessidade de estender o cessar-fogo e reabrir o Estreito de Ormuz. Ele declarou ter contornado um obstáculo quando o Irã ameaçou suspender as negociações devido aos ataques entre Israel e o Hezbollah no Líbano. O Irã, por meio de seu porta-voz diplomático Esmaeil Baghaei, condicionou qualquer trégua com os EUA à implementação de um cessar-fogo efetivo no Líbano, acusando os Estados Unidos de violarem o acordo existente e reiterando a defesa da segurança nacional iraniana. O cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos está em vigor desde 7 de abril, mas com troca de ataques pontuais. O Estreito de Ormuz, corredor vital para um quinto da produção mundial de petróleo, permanece fechado. A principal divergência nas negociações é o programa nuclear iraniano; os EUA exigem garantias contra o desenvolvimento de armas nucleares, enquanto o Irã sustenta que o tema não está em pauta no momento.
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