GEOPOLÍTICA E PETRÓLEO
A realidade do controle de Trump no Estreito de Ormuz
Especialistas apontam impasse militar enquanto tráfego despenca e incerteza sobre segurança marítima gera pressão econômica global
A tensão entre EUA e Irã atinge uma fase crítica após quase seis meses de conflito, com estoques globais de petróleo em queda e o tráfego comercial pelo Estreito de Ormuz praticamente paralisado. Na quarta-feira (12), o presidente Donald Trump reiterou a aliados e repórteres que os EUA mantêm o controle total da via navegável, essencial para o escoamento de petróleo de nações como Arábia Saudita e Iraque.
A declaração do líder americano, entretanto, diverge da realidade vivida pelas empresas de navegação. Enquanto o bloqueio naval imposto pelos EUA isola portos iranianos, o medo de ataques a embarcações transformou o corredor em uma zona de alta periculosidade. Na terça-feira (11), apenas 14 navios atravessaram o estreito, uma queda drástica em comparação à média de 120 embarcações registradas diariamente antes do início das hostilidades.
A insegurança é alimentada por um histórico recente de ataques, incluindo incidentes contra cargueiros da Abu Dhabi National Oil Company. De acordo com a UKMTO (Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido), foram contabilizados 54 relatos de danos a navios na região, evidenciando que a promessa de passagem segura por parte de Washington não tem sido suficiente para restaurar a confiança do setor logístico internacional.
Para analistas como Carl Schuster, ex-diretor do Centro de Inteligência Conjunta do Comando do Pacífico dos EUA, a alegação de domínio absoluto é infundada enquanto a navegação não puder ser garantida. O cenário atual é descrito por especialistas militares, incluindo o coronel reformado Cedric Leighton, como um impasse tático: os EUA possuem poder de fogo, mas o Irã detém a vantagem da proximidade geográfica e a capacidade de assédio constante através de drones e minas.
O custo desse impasse recai diretamente sobre a economia global e a política interna americana. Com as eleições de meio de mandato se aproximando, Donald Trump enfrenta a pressão de um Congresso que pode exigir o fim do conflito, enquanto Teerã aposta na estratégia de exaustão. Mohammad Reza Naqdi, conselheiro da Guarda Revolucionária, afirmou em entrevista recente que o país está disposto a prolongar o embate, testando a resiliência das forças americanas que operam, segundo especialistas, no limite de suas capacidades.
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