CONFLITO GLOBAL

Trump rejeita paz do Irã e petróleo dispara

Imagem ilustrativa de resposta iraniana à proposta de paz dos Estados Unidos, com símbolos visuais da região.
Irã envia resposta à proposta de paz dos EUA

Preços do Brent e WTI sobem com temor de prolongamento da guerra no Estreito de Ormuz, afetando a economia global.

A rejeição imediata do presidente Donald Trump à proposta de paz enviada pelo Irã, ocorrida nesta segunda-feira, 11 de maio de 2026, elevou os preços do petróleo no mercado internacional. A decisão de Trump, que classificou a proposta iraniana como “TOTALMENTE INACEITÁVEL”, intensifica os temores de uma prolongação do conflito que já dura dez semanas, ameaçando a estabilidade econômica global e o tráfego marítimo vital pelo Estreito de Ormuz, impactando diretamente o custo de vida e a cadeia de suprimentos em todo o mundo.

Por volta das 7h30 (horário de Brasília) desta segunda-feira, 11 de maio de 2026, o petróleo Brent, referência internacional para entrega em julho, registrava alta de 2,69%, atingindo US$ 103,52 por barril. Seu equivalente americano, o West Texas Intermediate (WTI), avançava 2,19%, cotado a US$ 97,51 por barril.

A proposta iraniana, divulgada no domingo, 10 de maio de 2026, veio dias após os EUA tentarem retomar as negociações. O documento de Teerã focava no encerramento da guerra em todas as frentes, com destaque para o Líbano, onde Israel, aliado dos EUA, confronta militantes do Hezbollah, que recebem apoio direto de Teerã.

Além disso, o governo iraniano demandou compensações pelos prejuízos da guerra e reafirmou sua soberania sobre o estratégico Estreito de Ormuz, conforme informações da TV estatal iraniana.

O Irã também solicitou aos EUA o fim do bloqueio naval, garantias de que não haverá futuros ataques, a suspensão imediata das sanções e a revogação da proibição de venda de petróleo iraniano, detalhou a agência semioficial Tasnim.

Contudo, poucas horas após a divulgação da proposta, o presidente Donald Trump a rejeitou categoricamente em uma publicação na plataforma Truth Social. “Não gosto disso — TOTALMENTE INACEITÁVEL”, sentenciou Trump, sem apresentar justificativas adicionais para sua postura.

Os EUA, por sua vez, insistem que o fim dos combates deve preceder qualquer negociação sobre questões mais delicadas, como o programa nuclear iraniano.

Após a firme reação de Trump, Teerã, por meio do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, declarou nesta segunda-feira, 11 de maio de 2026, que sua proposta para o cessar-fogo era “generosa e responsável”.

Esmaeil Baghaei enfatizou a legitimidade das demandas iranianas: “Nossa demanda é legítima: exigir o fim da guerra, suspender o bloqueio (dos EUA) e liberar os ativos iranianos congelados devido à pressão americana”, afirmou. Ele complementou que “a passagem segura pelo Estreito de Ormuz e o fortalecimento da segurança na região e no Líbano também fazem parte das exigências do Irã”.

Antes do início do conflito em larga escala, em 28 de fevereiro de 2026, o Estreito de Ormuz era a rota de tráfego para aproximadamente um quinto do petróleo e gás natural liquefeito comercializados globalmente, consolidando-o como um dos pontos nevrálgicos do conflito.

Apesar do tráfego no Estreito de Ormuz permanecer reduzido comparado ao período pré-guerra, dados das empresas Kpler e LSEG revelam que, na semana passada, três navios-tanque, carregados com petróleo bruto, cruzaram a região com seus rastreadores intencionalmente desligados, uma tática para escapar de potenciais ataques iranianos.

Confrontos esporádicos nas proximidades do Estreito nos últimos dias testaram a fragilidade do cessar-fogo que havia interrompido a guerra em larga escala desde o início de abril de 2026.

Internamente, pesquisas revelam a impopularidade da guerra entre os eleitores americanos, que já lidam com o aumento dos preços dos combustíveis. Isso ocorre a menos de seis meses das eleições cruciais que determinarão o controle do Congresso dos EUA pelo Partido Republicano.

A nível internacional, os EUA enfrentam dificuldades para angariar apoio. Aliados da Otan, por exemplo, recusaram solicitações para enviar navios ao Estreito de Ormuz, condicionando a participação a um acordo de paz abrangente e a uma missão com mandato internacional.

Diante da complexidade da situação, os próximos passos diplomáticos ou militares permanecem incertos.

O presidente Donald Trump tem chegada prevista em Pequim na quarta-feira, 13 de maio de 2026. A crescente pressão pelo fim da guerra e a crise energética global, catalisada pelo conflito, colocam o Irã entre os temas centrais a serem debatidos por Trump e pelo presidente chinês, Xi Jinping.

Trump busca o apoio da China para aumentar a pressão sobre Teerã, visando um acordo com Washington.

Ao abordar o tema do fim das operações militares contra o Irã, Donald Trump declarou no domingo, 10 de maio de 2026: “Eles foram derrotados, mas isso não significa que tenham acabado.”

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, reiterou que a guerra não chegou ao fim. Segundo ele, ainda há “mais trabalho a ser feito” para eliminar o urânio enriquecido iraniano, desmantelar as instalações nucleares e combater os grupos aliados do Irã e seu arsenal de mísseis balísticos.

Em entrevista ao programa 60 Minutes, da CBS News, exibida no domingo, 10 de maio de 2026, Netanyahu afirmou que a diplomacia seria a via ideal para remover o urânio enriquecido, mas não descartou o recurso à força militar.

Em contrapartida, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou em suas redes sociais que o Irã “jamais se curvará ao inimigo” e que defenderá “os interesses nacionais com firmeza”.

Apesar dos contínuos esforços diplomáticos para desobstruir as negociações, os riscos persistentes às rotas marítimas e às economias da região permanecem em um patamar elevado.

No domingo, 10 de maio de 2026, os Emirados Árabes Unidos reportaram a interceptação de dois drones iranianos. No mesmo dia, o Catar condenou um ataque a drones que atingiu um navio de carga, procedente de Abu Dhabi, em suas águas territoriais.

O Kuwait, por sua vez, anunciou que suas defesas aéreas interceptaram drones hostis que invadiram seu espaço aéreo.

Os confrontos no sul do Líbano entre Israel e o Hezbollah persistiram, desafiando o cessar-fogo mediado pelos EUA e anunciado em 16 de abril de 2026.

Ainda na entrevista ao “60 Minutes”, Benjamin Netanyahu alertou que o fim das hostilidades com o Irã não garantiria o encerramento da guerra no Líbano. Ele revelou que as autoridades israelenses, inicialmente, subestimaram a capacidade iraniana de impactar o tráfego no Estreito de Ormuz.

“Demorou um pouco para que eles entendessem o tamanho do risco, mas agora entendem”, concluiu o premiê israelense.

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