CRISE GEOPOLÍTICA
Trump lança 'Projeto Liberdade' e acende alerta global
Ex-presidente dos EUA anuncia plano para reabrir Estreito de Ormuz, crucial para 20% do petróleo mundial, em meio a combates.
O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou o controverso "Projeto Liberdade" em sua rede social Truth Social em 03 de maio de 2026. Esta iniciativa, implementada pelas forças americanas a partir de 04 de maio de 2026, visa desobstruir o estratégico Estreito de Ormuz, que permanece bloqueado desde ataques aéreos dos EUA e Israel contra o Irã e a subsequente resposta de Teerã. Apresentado como um gesto humanitário, o plano busca liberar aproximadamente 20.000 marinheiros e 2.000 navios mercantes presos, garantindo a retomada do fluxo de 20% do petróleo e gás natural liquefeito global, essenciais para a economia mundial e a dignidade das tripulações.
A decisão de Washington, que provocou a retomada de combates limitados em 04 de maio de 2026, levanta sérias questões sobre a escalada da tensão no Oriente Médio. Enquanto os EUA afirmam ter atingido pequenas embarcações iranianas, Teerã teria lançado uma série de ataques próprios, negando as acusações.
"Projeto Liberdade": o que sabemos sobre o plano de Trump
Trump detalhou o "Projeto Liberdade" em sua rede social Truth Social em 03 de maio de 2026, afirmando que os EUA receberam pedidos de "países de todo o mundo" para auxiliar na liberação de navios "presos no Estreito de Ormuz", que eram "meros espectadores neutros e inocentes!". Ele enfatizou o caráter humanitário da missão, destacando que muitas dessas embarcações estavam "com poucos alimentos e tudo o mais necessário para que as tripulações em grande escala permanecessem a bordo de forma saudável e higiênica". No entanto, ele também chamou a operação de "Projeto Impasse" no X, indicando a complexidade e os desafios envolvidos.
Arte da BBC ilustra o Estreito de Ormuz, rota marítima vital para o comércio mundial de petróleo e que se tornou um ponto central no conflito no Oriente Médio.
Como as forças dos EUA estão implementando o plano
A Organização Marítima Internacional (OMI), agência da ONU que regulamenta a navegação, estima que 20.000 marinheiros e 2.000 navios estão retidos no Golfo Pérsico desde o início do conflito com o Irã. A preocupação com a diminuição de suprimentos e o impacto na saúde física e mental dos marinheiros cresce a cada dia.
O Comando Central dos EUA (Centcom) mobilizou "destruidores de mísseis guiados, mais de 100 aeronaves terrestres e marítimas, plataformas não tripuladas multidomínio e 15.000 militares" para a operação. Em um briefing no primeiro dia da operação, o Almirante Brad Cooper, comandante do Centcom, informou que embarcações de 87 países estavam encalhadas e que os EUA haviam contatado "dezenas de navios e empresas de navegação para incentivar o fluxo de tráfego pelo Estreito de Ormuz, em consonância com a intenção do presidente de ajudar a guiar os navios com segurança através do estreito corredor comercial".
Cooper indicou que um caminho de mão dupla seria estabelecido na hidrovia, mas não especificou como, mencionando um "pacote defensivo muito mais amplo" do que o necessário apenas para escoltar navios.
Mick Mulroy, ex-secretário adjunto de defesa dos EUA para o Oriente Médio e veterano do Corpo de Fuzileiros Navais e da ala paramilitar da CIA, explicou à BBC que o Projeto Liberdade deve focar em fornecer cobertura aérea e defesa contra ataques de mísseis e drones, em vez de uma escolta física. Contudo, Mulroy ressaltou a falta de garantia de sucesso. "A questão é se os navios confiarão que podem passar sem serem atacados e, mais importante, se as seguradoras confiarão", disse ele. "Caso contrário, o esforço não terá o impacto que esperávamos."
Há embarcações passando pelo Estreito de Ormuz?
Na tarde de 04 de maio de 2026, o Centcom relatou que destróieres de mísseis guiados da Marinha dos EUA operavam no Golfo "após transitarem pelo Estreito de Ormuz em apoio ao Projeto Liberdade", auxiliando ativamente a navegação comercial. "Como primeiro passo, dois navios mercantes com bandeira dos EUA transitaram com sucesso pelo Estreito de Ormuz e estão seguindo viagem em segurança", declarou o Centcom, sem fornecer detalhes sobre a identidade dos navios.
A empresa de navegação Maersk confirmou que um de seus navios conseguiu sair do Golfo, acompanhado por militares dos EUA.
Horas após o início previsto da operação americana em 04 de maio de 2026, militares iranianos afirmaram ter disparado contra "destruidores inimigos americanos e sionistas", acusando os americanos de "desconsiderarem" o alerta. O Centcom negou prontamente as alegações iranianas de que um de seus navios de guerra havia sido atingido por dois mísseis.
Segundo o Centcom, o Irã disparou mísseis de cruzeiro contra navios de guerra americanos e navios comerciais com bandeira dos EUA, usando drones e pequenas embarcações contra navios comerciais. Os Emirados Árabes Unidos (EAU), um aliado dos EUA, relataram que um petroleiro da Adnoc, sua empresa petrolífera estatal, foi alvo de dois drones durante o trânsito pelo Estreito de Ormuz, sem feridos. Três interceptações de mísseis também foram relatadas. Um suposto ataque ainda atingiu um navio cargueiro sul-coreano ancorado nas proximidades dos Emirados Árabes Unidos.
O comandante do Centcom, Cooper, confirmou o uso de helicópteros de ataque americanos para afundar seis pequenas embarcações iranianas que atacavam navios civis, uma alegação que o Irã negou.
Grant Rumley, especialista em Oriente Médio e conselheiro em administrações Biden e Trump, considerou a garantia de passagem de todos os navios no Golfo "muito, muito difícil", sugerindo que uma opção militar mais forte e "cinética" seria provável. "Acho que o consenso geral é que a retomada das hostilidades é uma questão de quando", disse ele. "Não de se."
Nitya Labh, pesquisadora do Programa de Segurança Internacional da Chatham House, em Londres, classificou a operação dos EUA como "extremamente arriscada" e "bastante escalatória", indicando que os EUA "não estão dispostos a negociar os termos para a reabertura do estreito". Ela alertou que, mesmo que o Projeto Liberdade do presidente Trump consiga liberar algumas embarcações, será "na melhor das hipóteses, um alívio temporário", exigindo um esforço mais sustentado para desobstruir essa via navegável crucial.
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