TRÉGUA FRÁGIL ROMPIDA

Trump anuncia trégua, mas Rússia e Ucrânia trocam acusações

Trump anuncia cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia
Trump anuncia cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia

Acordo de três dias, mediado por Donald Trump, visava troca de 1.000 prisioneiros, mas ambos os lados registram ataques no primeiro dia.

Um cessar-fogo de três dias, mediado pelos Estados Unidos e anunciado pelo presidente Donald Trump na sexta-feira, 8 de maio de 2026, com o objetivo de pausar os combates e possibilitar a troca de 1.000 prisioneiros, foi imediatamente abalado. No primeiro dia da trégua, que deveria durar até segunda-feira, 11 de maio de 2026, Rússia e Ucrânia trocaram acusações de violação, frustrando as esperanças de alívio em um conflito que Donald Trump descreveu como a "pior coisa desde a Segunda Guerra Mundial" em termos de custo humano, com 25 mil jovens soldados perdidos a cada mês.

O Estado-Maior ucraniano reportou "51 ataques perpetrados pelo agressor" desde o início do sábado. Em resposta, o Ministério da Defesa russo alegou que, "apesar da declaração de cessar-fogo, grupos armados ucranianos lançaram ataques usando drones e artilharia contra as posições de nossas tropas". As acusações mútuas destacam a extrema fragilidade de qualquer pacto de paz e o profundo ceticismo entre as partes.

Em paralelo aos conflitos no campo de batalha, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, aproveitou o discurso anual do Dia da Vitória, celebrado em 9 de maio de 2026, para justificar a guerra contra a Ucrânia e criticar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Em um pronunciamento de oito minutos, Putin declarou: "O grande feito da geração vitoriosa inspira os soldados que hoje executam as tarefas da operação militar especial. [...] Eles estão enfrentando uma força agressiva, armada e apoiada por todo o bloco da OTAN. E, apesar disso, nossos heróis avançam."

O líder russo reforçou sua convicção, afirmando: "Estou firmemente convencido de que nossa causa é justa. Estamos juntos. A vitória foi nossa, e será para sempre." A celebração do Dia da Vitória, feriado nacional de grande reverência na Rússia, honra a vitória da União Soviética sobre a Alemanha nazista e os 27 milhões de cidadãos soviéticos, muitos deles ucranianos, que pereceram no conflito.

Neste ano, o desfile ocorreu em formato reduzido, sem a ostensiva exibição de armamentos e equipamentos militares, como mísseis balísticos intercontinentais, que outrora caracterizavam a demonstração do poderio russo nas ruas de paralelepípedos da Praça Vermelha.

A trégua de três dias, apoiada pelo Kremlin e por Kiev após intensas negociações, surgiu como uma tentativa desesperada de frear a escalada. "Eu gostaria que isso parasse. Rússia-Ucrânia — é a pior coisa desde a Segunda Guerra Mundial em termos de qualidade de vida. Vinte e cinco mil jovens soldados todos os meses. É uma loucura", disse Donald Trump a repórteres. O presidente americano expressou o desejo de uma "grande prorrogação" da pausa nos combates.

Anteriormente, a Rússia, que iniciou a invasão da Ucrânia em 2022, havia ameaçado Kiev com um ataque maciço de mísseis caso houvesse qualquer tentativa de perturbar o evento de 9 de maio de 2026, chegando a orientar diplomatas estrangeiros a evacuar suas equipes na capital ucraniana. Em resposta, o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy emitiu um decreto com tom irônico, "permitindo" que o desfile russo prosseguisse e assegurando que armas ucranianas não visariam a Praça Vermelha.

A segurança em Moscou foi reforçada, com soldados armados em caminhonetes e ruas bloqueadas no centro da capital, que, junto à região metropolitana, abriga 22 milhões de habitantes. As autoridades russas também cortaram o acesso à internet na região central, e muitas vias da capital estavam visivelmente esvaziadas, segundo a AFP.

Entre os moradores de Moscou, a esperança de um retorno rápido à paz é escassa. Elena, uma economista de 36 anos, que preferiu não revelar o sobrenome, expressou sua irritação com o corte da internet e afirmou à AFP que o fim do conflito "não será em breve, por mais que todos queiramos a paz". Daniil, de 26 anos, a caminho da academia, descreveu o dia 9 de maio como "um dia como qualquer outro" e respondeu com um seco "não" à pergunta se a breve trégua seria um prelúdio para a paz.

Apesar do cenário de tensão e das violações reportadas, a expectativa era de que Vladimir Putin ainda realizasse reuniões bilaterais neste sábado, 9 de maio de 2026.

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