SAÚDE RESPIRATÓRIA URGENTE
Tratamentos inadequados agravam asma e afetam milhões, alerta Projeto CuidAR
Pesquisa aponta impacto na função pulmonar de adultos e crianças, além de absenteísmo e hospitalizações crescentes.
Um impactante levantamento realizado pelo Projeto CuidAR, em parceria com o Ministério da Saúde, revelou que 60% dos adultos com asma atendidos em Unidades Básicas de Saúde (UBS) apresentam função pulmonar reduzida devido ao uso de tratamentos defasados. Os dados, divulgados nesta sábado, 09 de maio de 2026, acendem um alerta crucial sobre a saúde respiratória no Brasil, pois a falta de uma abordagem terapêutica adequada pode causar danos irreversíveis e impactar profundamente a dignidade e a rotina de milhões de brasileiros, incluindo 33% das crianças também afetadas.
De acordo com o pneumologista pediátrico Paulo Pitrez, responsável técnico do estudo, os adultos com função pulmonar reduzida não reagiram à aplicação de broncodilatadores durante a espirometria, um teste crucial que avalia a capacidade pulmonar. "Nosso estudo mostra que tanto crianças quanto adultos começaram o teste de função pulmonar com o pulmão funcionando abaixo do esperado antes de usar a bombinha," explica Pitrez. "Após o remédio, um terço das crianças e a maioria dos adultos não conseguiram normalizar a função pulmonar, o que sugere que, em muitos casos, o dano ao pulmão já pode ser irreversível devido à falta de tratamento adequado ao longo dos anos."
Atualmente, a abordagem terapêutica ideal para pessoas com asma exige o uso combinado de um broncodilatador de longa ação (LABA) e anti-inflamatórios de inalação. Contudo, o Dr. Pitrez ressalta que grande parte das UBSs insiste em métodos defasados, que oferecem apenas alívio momentâneo da doença, sem atacar sua raiz inflamatória. Essa discrepância entre o que é recomendado e o que é praticado compromete a saúde de quem busca auxílio no Sistema Único de Saúde (SUS).
"É imperativo mudarmos esse paradigma, não só por meio da implementação de estratégias preventivas e farmacológicas atualizadas no SUS, mas também através da conscientização da população, que não deve ignorar a gravidade da doença, principalmente em um cenário de longo prazo," afirma o médico, enfatizando a urgência de uma mudança cultural e clínica.
A pesquisa quantifica o peso dessa negligência: a falta de tratamento adequado atinge duramente a vida de aproximadamente 20 milhões de brasileiros com asma, conforme dados da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Nos últimos 12 meses, uma média de 60% dos pacientes analisados perderam dias cruciais de estudo ou trabalho. O absenteísmo é ainda mais severo entre crianças e adolescentes, superando 80%, enquanto 50% dos adultos também tiveram sua produtividade e aprendizado comprometidos.
Os números da saúde são igualmente alarmantes: quase 70% dos participantes relataram sofrer três ou mais crises recentes da doença. Desses, quase metade precisou de atendimento de urgência em pronto-socorros, e 10% foram internados, evidenciando a fragilidade e o risco constante que esses pacientes enfrentam. A mortalidade pela doença também preocupa, com um estudo do Jornal Brasileiro de Pneumologia indicando uma média crescente de seis óbitos diários no país.
Diante desse quadro desafiador, o Projeto CuidAR propõe soluções concretas para reverter a situação, buscando a redução das taxas de hospitalização e a implementação de novos exames no SUS. Uma das propostas envolve o uso do dispositivo Peak Flow, que mede o pico de fluxo expiratório dos pacientes. Este aparelho, de fácil manuseio e custo aproximado de R$ 200, surge como uma alternativa acessível à espirometria tradicional, cujo exame completo pode atingir R$ 15 mil. Além da tecnologia, o projeto visa aprimorar o atendimento nas UBSs por meio da educação continuada de profissionais da saúde, visando atualizar as práticas e garantir um cuidado mais eficaz e humano.
Agência Brasil
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário