FALHAS CRÍTICAS EM SALTO
Tragédia em salto expõe falhas de segurança na Ponte do Esqueleto
Especialistas apontam descumprimento de regras básicas de segurança e falta de checagens que levaram à morte de jovem em atividade de rope jump em Limeira, São Paulo. Investigação foca em organizadores sem empresa formal.
A morte da profissional de Educação Física Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto de rope jump na Ponte do Esqueleto, em Limeira, interior de São Paulo, na última terça-feira, 16/06/2026, desencadeou uma série de questionamentos sobre os protocolos de segurança adotados na atividade. Especialistas apontam diversos procedimentos básicos que teriam sido ignorados, impactando a dignidade e a segurança da jovem. As falhas em série expostas pelo acidente levantam sérias preocupações. Para o presidente da Associação Brasileira de Rope Jump e Pêndulo Humano (ABRJH), Marco Antonio Junior, conhecido como Jota, o acidente evidencia o descumprimento de regras elementares da modalidade. Ele ressalta que a chamada dupla checagem, considerada obrigatória em esportes de aventura, não foi realizada, um procedimento vital para a preservação da vida. As imagens que registraram a queda, que viralizaram nas redes sociais, mostram a jovem sendo carregada por três instrutores até a plataforma antes de ser lançada na modalidade conhecida como “aviãozinho”. Jota critica a gravação, pois revela a ausência de um padrão mínimo de segurança, afetando diretamente a integridade física da praticante. O especialista também criticou a atuação dos profissionais envolvidos, afirmando que não houve conferência adequada da amarração nem da regulagem da corda, procedimento normalmente realizado por um profissional conhecido como “rigger”. Outro ponto destacado pelos especialistas foi a escolha da posição “aviãozinho” para uma praticante iniciante. De acordo com Jota, esse tipo de salto aumenta os riscos operacionais, principalmente em plataformas estreitas, onde movimentos bruscos podem comprometer o equilíbrio dos participantes e dos instrutores, colocando em xeque a segurança pessoal. O presidente da Associação Paulista de Rapel, Gleidson Rodrigues, concorda que o acidente decorreu de uma sucessão de falhas operacionais. Segundo ele, a prática recomendada prevê que o participante realize o salto por conta própria, após uma última conferência visual dos equipamentos. Rodrigues também ressaltou a ausência da chamada checagem cruzada, procedimento em que pelo menos duas pessoas verificam independentemente a conexão das cordas antes da liberação do salto. Para ele, até mesmo o briefing de segurança, que orienta os participantes sobre os protocolos da atividade, teria sido ignorado, comprometendo o direito à informação segura. Os três responsáveis pelo lançamento, Luis Felipe Feliciano Egoroff, Vitor de Freitas Gonçalves e Maicon Fernandes Cintra, foram presos em flagrante por homicídio com dolo eventual. Posteriormente, a prisão foi convertida em preventiva. Segundo a investigação, o grupo atuava por meio de marcas divulgadas nas redes sociais, sem empresa formalmente constituída, operando à margem da lei e da segurança. Um instrutor identificado apenas como Gustavo afirmou que equipou Maria Eduarda antes da atividade, mas disse que estava atendendo outra cliente quando ocorreu o acidente. Segundo seu relato, ele estava de costas para a plataforma e não acompanhou a preparação final do salto. Gustavo contou que uma participante que saltaria antes da jovem desistiu por medo, mas Maria Eduarda acabou sendo a primeira pessoa a realizar o salto na modalidade “aviãozinho” naquele momento. Ele relatou ainda que, inicialmente, não percebeu que algo estava errado, já que gritos costumam ser comuns durante a atividade. Somente após ouvir comentários sobre a queda é que entendeu a gravidade da situação e acompanhou a mobilização para prestar os primeiros socorros. Segundo a Polícia Civil, dois dos investigados relataram ter sofrido um “apagão” durante os procedimentos de preparação e não souberam explicar em que momento deixaram de prender a corda de segurança na vítima. A delegada responsável pelo caso informou que não existia uma empresa regularmente constituída por trás da operação. Os organizadores promoviam os saltos utilizando marcas divulgadas nas redes sociais, cujos perfis deixaram de estar disponíveis após a repercussão do caso. A falta de formalização é um indicativo de negligência com a segurança e a dignidade humana. Para Jota, a tragédia reforça a necessidade de regulamentação do rope jump no Brasil. A ABRJH pretende encaminhar projetos de lei para municípios paulistas com o objetivo de estabelecer normas específicas para a prática da modalidade, visando garantir a segurança e a dignidade de todos os praticantes. Maria Eduarda, moradora de Jandira, na Grande São Paulo, era formada em Educação Física e trabalhava em uma academia. Em suas redes sociais, costumava publicar conteúdos relacionados a esportes, natureza e qualidade de vida. Horas antes do acidente, ela registrou uma fotografia diante de placas que alertavam para o risco de morte na Ponte do Esqueleto. Pouco antes do salto, publicou uma mensagem em tom de brincadeira questionando quem teria permitido que ela fosse pular da estrutura, demonstrando a confiança depositada nos organizadores. O local onde ocorreu a tragédia possui histórico recente de acidentes. Em 2024, uma ciclista morreu após cair da ponte, enquanto outras duas mulheres ficaram gravemente feridas em ocorrências registradas anteriormente. Atualmente, a Prefeitura de Limeira e a Secretaria de Patrimônio da União divergem sobre a responsabilidade pela fiscalização e pelo controle de acesso à estrutura ferroviária inacabada, evidenciando uma falha na gestão pública que impacta a segurança de todos.
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