CIÊNCIA E LONGEVIDADE

Traços de personalidade impulsionam longevidade na Sardenha

Grupo de idosos em festa, representando o convívio social na longevidade.
Traços como curiosidade e abertura ao novo favorecem um envelhecimento com maior qualidade de vida e participação social.

Estudo da Universidade de Cagliari associa curiosidade e abertura a novas experiências com uma vida mais longa e saudável. Pesquisa foi publicada em 10/07/2026.

A curiosidade e a abertura a novas experiências emergem como pilares fundamentais para uma vida mais longa, conforme revelado por uma investigação conduzida pela Universidade de Cagliari, na Itália, em 10/07/2026. A decisão de publicar os achados na revista científica International Journal of Applied Positive Psychology reforça que, além de dieta e exercícios, a estrutura psicológica do indivíduo é determinante para o bem-estar na maturidade.

O estudo, que analisou 125 idosos com idade média de 80 anos na Sardenha, buscou entender por que moradores da chamada Zona Azul apresentam taxas superiores de longevidade. Ao comparar residentes da região com vizinhos de áreas próximas, os cientistas utilizaram o modelo Big Five para medir traços como extroversão, conscienciosidade e neuroticismo.

Os dados demonstram que idosos com maior abertura a vivências inéditas, maior organização e empatia possuem melhores indicadores de saúde mental. Diferente de indivíduos com altos níveis de neuroticismo, que enfrentam maior estresse, esses longevos demonstram competência emocional superior e engajamento constante em atividades intelectuais.

Embora o conceito de Zona Azul — popularizado por Dan Buettner e que engloba locais como Okinawa, Japão; Nicoya, Costa Rica; Ikaria, Grécia; e Loma Linda, Califórnia, Estados Unidos — sofra críticas de especialistas como Saul Justin Newman, da University College London, o trabalho mantém relevância técnica. Newman aponta riscos de inconsistências nos registros de idade, citando casos como o de Sogen Kato, mas a análise psicológica da Universidade de Cagliari foca no impacto prático da postura mental sobre a dignidade do envelhecimento.

Para a sociedade, a conclusão é clara: cultivar uma mente aberta e relações sociais profundas é um mecanismo essencial para um envelhecimento bem-sucedido. A pesquisa reafirma que o suporte psicológico e o enfrentamento resiliente das dificuldades cotidianas são ferramentas tão vitais quanto os hábitos físicos para assegurar a qualidade de vida nos anos avançados.

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