CRISE NA SAMSUNG

Trabalhadores da Samsung deflagram greve histórica por bônus da IA

Trabalhadores da Samsung deflagram greve histórica por bônus da IA

Mais de 45.000 funcionários exigem divisão justa de ganhos de IA; paralisação pode gerar prejuízo de US$ 20,79 bilhões.

A Samsung Electronics enfrenta uma ameaça histórica: mais de 45.000 trabalhadores, representando diversas divisões da gigante tecnológica, decidiram realizar uma greve de 18 dias a partir de 21 de maio. Este movimento sem precedentes, que nesta domingo, 17 de maio de 2026, continua a gerar apreensão em governos e investidores globais, eclode de uma profunda controvérsia sobre a distribuição dos lucros estratosféricos gerados pelo boom da inteligência artificial, colocando em risco as cadeias de suprimentos mundiais e a estratégia de longo prazo da própria empresa.

O cerne da disputa reside na decisão da Samsung Electronics de oferecer bônus generosos. Contudo, a proposta prevê que os 27.000 funcionários da área de chips de memória recebam pelo menos seis vezes mais do que os 23.000 trabalhadores das divisões de design de chips lógicos e fundição. Estes últimos são cruciais na fabricação de semicondutores para gigantes como Tesla e a Nvidia, e frequentemente compartilham os mesmos espaços físicos com seus colegas mais bem remunerados, apesar de suas divisões terem acumulado bilhões em perdas nos últimos anos.

O sindicato argumenta que é inaceitável deixar para trás milhares de trabalhadores que contribuem diretamente para o ecossistema de chips de IA, mesmo que suas divisões enfrentem desafios financeiros. Esta disparidade cria um sentimento de injustiça e desvalorização, afetando a dignidade e o moral dos funcionários em um momento de pico de lucratividade global da empresa.

Documentos internos da Samsung, analisados pela Reuters em centenas de páginas de transcrições de negociações salariais, junto a depoimentos de mais de 10 trabalhadores, incluindo líderes sindicais, revelam divisões profundas e a saída de profissionais-chave. Estas fissuras internas ameaçam o objetivo ambicioso da Samsung de ser a única empresa de semicondutores a oferecer um "balcão único" de chips e serviços, diferenciando-se de concorrentes especializados como Micron ou TSMC. As discussões sobre o atrito entre as divisões e as saídas de funcionários não haviam sido divulgadas publicamente até agora.

Analistas do JPMorgan estimam que a greve poderia impactar o lucro operacional da Samsung em valores que variam de 21 trilhões a 31 trilhões de wons (cerca de US$ 14,08 bilhões a US$ 20,79 bilhões). As perdas de vendas, por sua vez, poderiam chegar a aproximadamente 4,5 trilhões de wons. Tais valores sublinham o impacto colossal que a paralisação pode ter não apenas na empresa, mas também na economia global de tecnologia.

A Divisão de Soluções para Dispositivos da Samsung, que engloba os negócios de memória, sistema LSI e fundição, mostra como o cenário da IA acentuou a desigualdade de lucratividade entre essas áreas. Embora a Samsung seja a maior fabricante global de chips de memória e também produza televisores e smartphones, essa estrutura complexa de negócios, que tenta unir diferentes frentes, é vista por especialistas como um "problema parcialmente autoinfligido pela empresa".

Namuh Rhee, professor da Universidade Yonsei e presidente de um grupo coreano de governança corporativa, apontou que a estratégia de reunir negócios distintos criou uma arquitetura empresarial complexa. Esta complexidade, segundo ele, não apenas causa conflitos de interesse, mas também limita oportunidades e resulta em um desconto na avaliação de valor da companhia.

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