IMPACTO GLOBAL

Toyota prevê prejuízo de US$ 4,3 bilhões por guerra no Irã

Toyota prevê prejuízo de US$ 4,3 bilhões por guerra no Irã

Gigante japonesa antevê perda de US$ 4,3 bilhões no ano fiscal e queda de 50% em lucros trimestrais por custos de conflito; ações recuam 2,2%.

A Toyota do Japão anunciou nesta sexta-feira, 8 de maio de 2026, que projeta um prejuízo significativo de US$ 4,3 bilhões para o atual ano fiscal. A previsão, que é um dos mais contundentes alertas globais sobre a repercussão de conflitos, decorre do impacto da guerra com o Irã, elevando os custos de materiais, atrasando entregas e reduzindo volumes de vendas. Para a maior montadora de automóveis do mundo, essa situação representa uma queda de quase 50% nos lucros trimestrais e sublinha a severa vulnerabilidade da indústria a tensões geopolíticas.

A montadora revelou que o lucro anual deverá diminuir em um quinto no ano que acaba de começar, uma vez que o aumento exponencial dos custos relacionados ao conflito supera a crescente demanda por veículos híbridos.

A maior parte do prejuízo, estimado em 670 bilhões de ienes (equivalente a US$ 4,3 bilhões), virá da escalada dos custos de materiais, enquanto o restante será atribuído a atrasos nas entregas e à diminuição dos volumes de vendas. Takanori Azuma, diretor do grupo de contabilidade da Toyota, detalhou em coletiva de imprensa que o impacto da guerra com o Irã se manifesta em todos os elos da cadeia produtiva, desde "os custos de combustível, despesas de transporte e o valor da tinta e outros materiais essenciais usados nas fábricas de montagem de veículos".

Apesar de a Toyota prever que as vendas de veículos híbridos superem a marca de 5 milhões de unidades pela primeira vez neste ano – um reflexo da busca dos consumidores por maior eficiência energética –, seus resultados gerais evidenciam o impacto desproporcional da guerra com o Irã. O aumento dos preços da energia, embora direcione os clientes para carros mais econômicos, não é suficiente para compensar as fortes pressões de custos subjacentes.

As estimativas da Toyota superam, até o momento, as previsões de muitas outras grandes corporações, incluindo companhias aéreas. Diferente de várias empresas, a gigante japonesa assume um ônus adicional ao se comprometer a absorver os aumentos de custos enfrentados por seus fornecedores.

O lucro operacional da empresa totalizou 569,4 bilhões de ienes nos três meses encerrados em 31 de março, uma queda acentuada em comparação com 1,1 trilhão de ienes registrados no mesmo período do ano anterior. Este foi o lucro trimestral mais baixo em mais de três anos.

Para o atual ano fiscal, a Toyota projeta um lucro operacional de 3 trilhões de ienes, valor significativamente abaixo da mediana de 4,59 trilhões de ienes apurada em uma pesquisa da LSEG com 23 analistas. Em resposta a essa divulgação, as ações da Toyota fecharam em queda de cerca de 2,2%, atingindo seu menor valor desde meados de outubro.

Os resultados apresentados marcam os primeiros sob a gestão do novo CEO, Kenta Kon, ex-diretor financeiro e ex-secretário do presidente Akio Toyoda, reconhecido por sua rigorosa postura de controle de custos.

Kon afirmou que a Toyota continuará a "identificar o desperdício, um por um", e enfatizou a capacidade da companhia de gerar aproximadamente US$ 24 bilhões em lucro, mesmo diante de desafios consideráveis.

O CEO também enfrenta o desafio de guiar a Toyota através do impacto das tarifas impostas pelo ex-presidente dos EUA, Donald Trump, que custaram à empresa 1,4 trilhão de ienes no ano recém-encerrado.

O recente aumento nos preços da energia agrava ainda mais a situação de um setor que já lida com as dificuldades impostas pelas tarifas de Trump e pela crescente concorrência das montadoras chinesas.

Oliver Blume, CEO da Volkswagen, declarou esta semana que as tarifas representam um custo anual de 5 bilhões de euros (equivalente a US$ 5,9 bilhões) para o lucro operacional da montadora alemã.

A Toyota já havia informado na semana passada que suas vendas no Oriente Médio registraram uma queda drástica em março, após interrupções significativas nos embarques para a região.

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