ATAQUES DE TUBARÃO EM PE
Tigre e cabeça-chata: conheça espécies de tubarões que atacaram em PE
Identificação das espécies tigre e cabeça-chata, responsáveis por dois graves incidentes na última segunda-feira (1º), eleva o debate sobre a segurança nas praias e a compreensão do comportamento desses animais.
Duas graves ocorrências de ataques de tubarão em Pernambuco, registradas entre domingo (31) e segunda-feira (1º), mobilizaram autoridades e especialistas. O Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarão (Cemit) identificou nesta terça-feira, 02/06/2026, as espécies envolvidas nos ataques: tubarão-tigre e tubarão-cabeça-chata. Os incidentes resultaram em lesões severas, com uma jovem de 19 anos e uma criança de 11 anos precisando de amputações.
A criança, atacada na tarde de domingo (31) na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, sofreu lesões na coxa e na mão esquerda, culminando na amputação do membro inferior esquerdo. No dia seguinte, segunda-feira (1º), uma jovem de 19 anos foi vítima de um ataque na Praia de Boa Viagem, em Recife, chegando ao hospital com amputação na altura da coxa.
Com base na análise das lesões e nos locais dos ataques, o Cemit determinou que o tubarão-tigre foi o responsável pelo ataque à jovem, enquanto o tubarão-cabeça-chata atacou a criança. As duas espécies possuem características distintas que influenciam seu comportamento e modo de caça.
O tubarão-tigre é conhecido por ser mais migratório e ter uma dieta generalista, alimentando-se de praticamente tudo que encontra no mar. Já o tubarão-cabeça-chata demonstra um comportamento mais territorialista, com uma dieta baseada em peixes e outras espécies marinhas menores.
Em relação à sua dentição, o tubarão-cabeça-chata possui dentes descritos como 'garfo e faca', com ossos finos e pontiagudos na parte inferior e bordas cortantes e triangulares na superior. O tubarão-tigre, por sua vez, apresenta dentes mais largos e arredondados, com 'serras' em ambas as pontas, caracterizando a dentição 'faca-faca'.
Ambas as espécies utilizam a eletrorrecepção, a capacidade de detectar campos eletromagnéticos gerados pelo movimento de outros animais, para localizar presas. O tubarão-cabeça-chata é considerado um especialista nesse sentido, especialmente em águas turvas, sendo apontado como um dos animais mais agressivos. O tubarão-tigre age como predador de emboscada, utilizando explosões rápidas de velocidade.
Por que os tubarões atacam humanos?
Uma pesquisa da OCS (Ocean Conservation Society) aponta que a ocorrência de ataques em certas regiões, como o litoral de Pernambuco, está ligada a áreas de alto risco para incidentes com animais marinhos. Especialistas indicam que tubarões usam uma combinação de sentidos, como percepção de campos elétricos e vibrações, para localizar presas, e não apenas o olfato. É importante notar que a maioria dos tubarões não considera humanos como presas naturais.
Segundo Gisele Montano, pesquisadora associada no SeaWorld, atividades como nadar e bater pernas na água podem ser confundidas pelos tubarões com a presença de presas feridas. Os ataques podem ocorrer por diversos fatores sensoriais e comportamentais: humanos não são presas habituais, pode haver confusão de sentidos devido aos aguçados sistemas sensoriais dos tubarões para detectar movimento e campos elétricos, e os animais também podem atacar por curiosidade e investigação, utilizando seus sentidos para analisar sons e vibrações.
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