NOVO PROTOCOLO
Teste genético permite que dois terços de pacientes com câncer de mama evitem quimioterapia
Estudo internacional com mais de 4.400 pacientes demonstrou que um teste em 50 genes identifica com segurança quais mulheres podem dispensar a quimioterapia e obter resultados semelhantes com hormonioterapia.
A decisão de submeter pacientes ao tratamento agressivo com quimioterapia após o diagnóstico de câncer de mama, especialmente no tipo mais comum da doença, poderá ser significativamente ajustada. Um estudo internacional apresentado no congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) revelou que dois terços das pacientes avaliadas não obtiveram benefício clínico expressivo com a quimioterapia. A pesquisa aponta que um teste genético realizado no próprio tumor é capaz de identificar com segurança quem pode ser poupada desse tratamento e obter resultados semelhantes com terapias menos invasivas. A análise OPTIMA envolveu mais de 4.400 pacientes em seis países.
O teste em questão, chamado Prosigna, analisa a atividade de 50 genes no tecido tumoral, gerando uma pontuação de risco. Pacientes com pontuação baixa, identificadas por este exame, são justamente aquelas que, com alta probabilidade, não se beneficiam clinicamente da quimioterapia. Para validar sua eficácia, a pesquisa comparou um grupo que recebeu o tratamento padrão com outro cuja decisão terapêutica foi guiada pelo teste Prosigna. Os resultados deste acompanhamento, que teve duração média de quatro anos, foram praticamente iguais entre os grupos.
Na prática, a sobrevida livre de câncer de mama invasivo em cinco anos ficou em torno de 94% em ambos os grupos. Entre os pacientes com pontuação baixa indicada pelo teste, no máximo dois em cada cem veriam a recorrência do câncer evitada pela quimioterapia. Isso significa que a grande maioria dessas pacientes pode optar pela hormonioterapia, evitando os efeitos colaterais e o impacto na qualidade de vida associados à quimioterapia, sem comprometer suas chances de recuperação. A pesquisa também reuniu evidências para o uso do teste em pacientes de maior risco clínico, incluindo mulheres com até nove linfonodos comprometidos, tumores em estágio mais avançado e pacientes na pré-menopausa a partir dos 40 anos, grupos que frequentemente eram encaminhados para a quimioterapia.
*Sob supervisão de Thiago Félix
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