CONTAS PÚBLICAS EM ALERTA

Tesouro Nacional projeta pressão fiscal e alerta para necessidade de ajustes no próximo governo

Gráfico de projeções fiscais do Tesouro Nacional.
O Tesouro Nacional divulgou projeções que indicam desafios para as contas públicas do Brasil.

Relatório aponta que cumprimento de metas fiscais exige novas medidas e impacta o futuro do orçamento brasileiro, independentemente de quem for eleito.

Atingir as metas fiscais do Brasil nos próximos anos demandará decisões estratégicas na política econômica. É o que aponta o mais recente Relatório de Projeções Fiscais do Tesouro Nacional, divulgado nesta quinta-feira, 02/07/2026. O documento indica que o cenário atual não garante automaticamente o cumprimento desses objetivos, impondo desafios à próxima gestão presidencial. Quem assumir a Presidência precisará encontrar caminhos para equilibrar as contas. As opções incluem aumentar a arrecadação em um Congresso receptivo a poucas mudanças, controlar gastos essenciais ou rever as regras orçamentárias. Essa necessidade de ação reflete um desafio estrutural nas finanças públicas: as despesas obrigatórias crescem mais rápido do que a capacidade do governo de alocar recursos. Benefícios previdenciários, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e despesas com pessoal lideram esse avanço. As projeções do Tesouro são claras: a despesa com Previdência Social pode saltar de R$ 1,1 trilhão para mais de R$ 1,6 trilhão, em valores constantes, representando um crescimento real anual de 3,5%. O BPC, por sua vez, deve ter um aumento ainda mais expressivo, passando de R$ 148 bilhões para R$ 255 bilhões em uma década, com crescimento real anual de 5,6%. Esse cenário pressiona o orçamento, reduzindo o espaço para investimentos e outras despesas discricionárias, aumentando a rigidez orçamentária. O Tesouro apresentou dois cenários. O primeiro, sem novas medidas, prevê o não cumprimento das metas de resultado primário entre 2028 e 2030. Já o segundo, que parte da premissa de ações governamentais para atingir os objetivos fiscais, aponta para superávits crescentes, chegando a 1,5% do PIB em 2036. Para que isso ocorra, contudo, é estimado um esforço fiscal médio de 1,2% do PIB anualmente, entre 2027 e 2036, com foco em aumento de receitas e otimização de despesas.

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