VENEZUELA EM TRAGÉDIA
Terremoto devastador atinge a Venezuela e mobiliza equipes internacionais de resgate
Abalo sísmico histórico causou centenas de mortes e destruição em La Guaira. Força-tarefa com 60 equipes de 28 países atua nas buscas por sobreviventes em meio a desafios logísticos e sanitários.
Um terremoto de magnitude histórica atingiu a Venezuela em 24 de julho de 2026, marcando o maior abalo sísmico registrado no país em mais de um século. A decisão de mobilizar equipes internacionais de resgate foi tomada diante da devastação causada pelo tremor, que concentrou seu epicentro no município costeiro de La Guaira, a 40 minutos da capital Caracas. A tragédia importa pois causou o colapso de centenas de edificações e deixou milhares de desabrigados, impactando diretamente a dignidade e a segurança dos indivíduos afetados.
O sismo causou o desmoronamento de conjuntos habitacionais, edifícios de classe média e residências de alto padrão, tornando bairros inteiros parcial ou completamente inabitáveis. Imagens gravadas por um morador do bairro Playa Grande, em La Guaira, capturaram o momento exato em que o tremor, assistido por uma partida de futebol entre Brasil e Escócia, iniciou. O vídeo mostra o apartamento a balançar intensamente, a piscina a transbordar e um edifício vizinho a desabar parcialmente. Embora o prédio de onde a gravação foi feita tenha permanecido de pé, as autoridades o condenaram.
Diante da magnitude da catástrofe, uma coalizão internacional reuniu aproximadamente 60 equipes de 28 países para atuar nas buscas e resgate de vítimas soterradas na região de La Guaira. Os grupos empregam cães farejadores, sensores de presença e microfones ultrassensíveis para detectar sinais de vida sob os escombros. A missão humanitária brasileira, chefiada por Armin Braun, concentrou esforços na tentativa de resgate de um jovem identificado como Santiago, cuja residência desabou. Apesar da dedicação, os sinais de vida cessaram e a operação foi encerrada, mas Braun ressaltou que a história de Santiago servirá de motivador para encontrar outros sobreviventes.
Apesar das adversidades e do avanço do tempo, casos excepcionais de sobrevivência mobilizam as equipes. O vigilante Hernán Gil foi resgatado com vida após oito dias soterrado, em uma operação que durou 72 horas e envolveu mais de 100 resgatistas internacionais. Em contraste, famílias de vítimas aguardam por informações em acampamentos improvisados, com moradores de Caracas viajando diariamente a La Guaira. Relatos incluem duas crianças de oito e nove anos, visitando amigos em um prédio de dez andares que colapsou totalmente, sem que nenhum sobrevivente tenha sido encontrado até o momento.
Em resposta à destruição das moradias e ao risco de saques, sobreviventes sinalizaram as estruturas remanescentes com avisos de "propriedade particular" e "não entre". Parte da população afetada foi encaminhada a um abrigo temporário em um campo de futebol, administrado por agências das Nações Unidas (ONU), que oferece alimentação, suporte logístico e atendimento médico básico. Para os casos mais graves, a Marinha do Brasil instalou um hospital de campanha na avenida beira-mar de La Guaira, cinco dias após o terremoto. A unidade conta com leitos de internação, centro cirúrgico, UTIs e especialidades médicas.
A coordenadora do hospital de campanha, Marisa Martins, observou uma mudança no perfil dos atendimentos, com muitos casos de "pós-trauma", feridas infectadas e pacientes que não tiveram acesso a cuidados médicos adequados. A média de atendimentos na estrutura brasileira atingiu 120 pacientes por dia. O comandante Leonel Mariano alertou para uma nova fase da operação humanitária, com a iminente remoção de cadáveres e o consequente aumento das preocupações sanitárias.
Moradores da região afetada expressaram insatisfação com a lentidão das ações de socorro do Estado, relatando a necessidade de cavar escombros com as próprias mãos antes da chegada das equipes estrangeiras. A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, rejeitou as críticas, classificando-as como politização de uma crise humanitária. "Que alguém diga que teve acesso ou ajuda negados. Isso não existe", declarou.
Entre os sobreviventes assistidos, há histórias como a de Dayana e seu filho recém-nascido, Juan David, que passaram mais de 30 horas soterrados. O pai, Gerson Trujillo, escapou segundos antes do colapso e localizou a família ao ouvir a esposa. O bebê foi resgatado primeiro, seguido pela mãe uma hora depois. A família, agora abrigada temporariamente, iniciou uma arrecadação virtual para reconstruir suas vidas. O prédio onde residiam era vizinho ao apartamento de onde o vídeo inicial do tremor foi gravado.
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