AVANÇO NA ONCOLOGIA

Terapia CAR-T: o tratamento que manteve Sam Neill em remissão até o fim da vida

Foto do ator Sam Neill em evento de divulgação.
O ator Sam Neill, ícone de Jurassic Park, faleceu aos 78 anos. Foto: Divulgação.

Ator neozelandês, falecido em 13 de julho de 2026, obteve sucesso com a terapia celular; entenda como o método revoluciona o combate a linfomas.

A trajetória de superação do ator Sam Neill chegou ao fim nesta segunda-feira, 13/07/2026, em Sydney, na Austrália. Dias antes de morrer aos 78 anos, o artista confirmou que permaneceu livre do câncer até os seus últimos momentos, graças a uma terapia que, há pouco mais de uma década, era vista como experimental.

O ator enfrentava um linfoma não Hodgkin e, após a quimioterapia perder a eficácia, recorreu à terapia CAR-T. O procedimento, que utiliza células de defesa do próprio paciente reprogramadas em laboratório para combater tumores, proporcionou a ele uma remissão prolongada, devolvendo-lhe qualidade de vida diante de um quadro de saúde complexo.

Diferente da quimioterapia tradicional, a CAR-T atua como um "super soldado" imunológico. O processo envolve a coleta de linfócitos T do indivíduo, que sofrem uma modificação genética para receber um receptor artificial, o CAR, capaz de identificar e destruir proteínas na superfície das células cancerígenas antes de serem reinfundidas no organismo.

Embora represente um salto científico, o acesso ao tratamento ainda enfrenta desafios estruturais. No Brasil, pesquisadores da USP, em parceria com o Instituto Butantan e o Hemocentro de Ribeirão Preto, além de iniciativas do Hospital Israelita Einstein, buscam viabilizar a produção nacional. Em junho de 2026, dados mostraram que 87,5% dos pacientes em um estudo brasileiro apresentaram resposta positiva com a versão local da terapia.

Apesar da esperança, o custo elevado — que pode chegar a R$ 4 milhões — e a necessidade de centros altamente especializados limitam o alcance do tratamento. Hoje, muitos pacientes brasileiros dependem de decisões judiciais para acessar a tecnologia, um cenário que o oncologista Stephen Stefani, do grupo Oncoclínicas, critica por não resolver a desigualdade estrutural do sistema de saúde.

O objetivo para os próximos anos é que, com o registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS), a CAR-T deixe de ser uma exceção acessada por poucos e torne-se uma política pública sólida, democratizando a chance de cura para pacientes com cânceres hematológicos agressivos.

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