CUIDADO REMOTO

Telemedicina expande acesso e gera debate ético no Brasil

Mulher em teleconsulta com médico em tela de computador, simbolizando o atendimento online.
Mulher sendo consultada de forma online. Imagem: Metrópoles.

Crescimento no SUS com 5,7 milhões de consultas em 2025; proteção de dados é prioridade.

A telemedicina se consolidou como um pilar estratégico da saúde pública e privada no Brasil, expandindo o acesso a milhões de cidadãos. No entanto, o setor, com o Ministério da Saúde à frente, enfrenta desafios urgentes que exigem atenção, nesta sábado, 16 de maio de 2026. A decisão de integrar amplamente consultas online e telediagnóstico, que se solidificou após sua fase emergencial na pandemia, visa alcançar regiões remotas e otimizar atendimentos. Contudo, essa expansão acelerada impõe uma reflexão crítica sobre a dignidade do paciente, a segurança de dados e a qualidade do cuidado, elementos cruciais para a confiança da sociedade.

A secretária Ana Estela Haddad, responsável pela pasta de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde (MS), afirma que a telemedicina assume um papel estratégico na transformação digital do Sistema Único de Saúde (SUS).

Expansão da telemedicina no SUS

Dados do MS revelam que a Rede Brasileira de Telessaúde realizou aproximadamente 5,7 milhões de teleatendimentos no ano de 2025, beneficiando 2.929 municípios em todo o Brasil. Atualmente, 63 Núcleos de Telessaúde estão habilitados, reforçando o suporte ao cidadão.

Ana Estela enfatiza que a tecnologia complementa o atendimento tradicional, não o substitui. “A telessaúde atua como estratégia complementar, ampliando o acesso e qualificando a assistência médica”, declara.

A secretária também ressalta os investimentos do governo federal na conectividade e na integração digital do SUS. Ela observa que a "perspectiva é de expansão qualificada da telessaúde, integrada ao processo de transformação digital do programa SUS Digital".

Benefícios e limites do atendimento online

No campo da saúde mental, a telemedicina também cresceu significativamente após a pandemia. A psicóloga Cristiane Moreira, da Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP), lembra que a área já debatia o atendimento mediado por tecnologia antes da ampla popularização da internet.

Para Cristiane, o avanço mais notável foi a democratização do acesso ao cuidado psicológico. Ela pontua que "a possibilidade de atendimento remoto beneficia indivíduos em áreas com escassez de serviços, com mobilidade reduzida ou que, por diversas razões, não procurariam uma consulta presencial".

Contudo, a especialista adverte que o atendimento online exige rigor técnico e não deve ser tratado superficialmente.

"A crescente procura por saúde mental ampliou a oferta em plataformas que, ao mercantilizar o cuidado, priorizam produtividade, rapidez e baixo custo, desvalorizando práticas clínicas complexas", alerta Cristiane.

Tecnologia exige responsabilidade

O Ministério da Saúde elenca como desafios cruciais para a telemedicina a proteção de dados, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD – Lei nº 13.709/2018), a segurança das informações, a formação adequada dos profissionais e a persistente desigualdade no acesso à internet.

Especialistas também salientam a imprescindibilidade do atendimento presencial em cenários de risco à vida, crises emocionais agudas ou quando se exige uma avaliação física pormenorizada.

Apesar dos riscos inerentes, a projeção é de que a telemedicina continue sua expansão nos próximos anos. A visão consensual entre os especialistas é que a tecnologia representa um avanço significativo, desde que aplicada com rigor técnico, responsabilidade ética e primazia na qualidade do cuidado.

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