GREVE ESTUDANTIL: CRÍTICA FORTE

Tarcísio critica greve na USP e vê "cunho político" em paralisação

Governador Tarcísio de Freitas em entrevista sobre a greve na USP
Imagem colorida do governador Tarcísio de Freitas falando sobre a greve dos estudantes da USP - Metrópoles

Governador vê greve como "perda de oportunidade" enquanto estudantes lutam por auxílio e melhores condições de permanência.

O Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), criticou veementemente a greve dos estudantes da Universidade de São Paulo (USP), afirmando nesta terça-feira, 05/05/2026, que a paralisação não "entra na sua cabeça" e possui "cunho político". Para o chefe do Executivo paulista, o movimento estudantil representa uma "perda de oportunidade" e os alunos deveriam focar nos estudos, defendendo, ao mesmo tempo, a autonomia universitária na gestão de seus recursos.

Durante uma agenda no Palácio dos Bandeirantes, onde anunciou investimentos em rodovias do interior paulista, Tarcísio de Freitas enfatizou a importância do preparo para o futuro. "Eu sei que um dia eu vou estar no mercado de trabalho e o mercado vai cobrar. Então, eu quero o máximo de ferramenta. Para mim, não entra na minha cabeça a greve dos estudantes", declarou o governador, pré-candidato à reeleição estadual.

A pauta grevista dos estudantes busca, principalmente, a isonomia salarial e melhores condições de permanência, especialmente após a aprovação de uma gratificação de R$ 4.500 para professores envolvidos em projetos estratégicos da universidade. Esta bonificação, que custará R$ 239 milhões anuais ao orçamento da USP e beneficiará apenas docentes, contrasta drasticamente com as reivindicações de auxílio estudantil equivalente a um salário mínimo paulista e melhorias na infraestrutura, como a qualidade dos restaurantes universitários.

A manifestação do governador ignora a complexidade e a urgência das demandas estudantis que permeiam a busca por dignidade e acesso equitativo à educação superior. O movimento estudantil não apenas ecoa o apoio aos servidores, mas clama por políticas que garantam a todos os discentes a possibilidade de se dedicar integralmente aos estudos, sem as preocupações financeiras e estruturais que hoje impactam seu desempenho e bem-estar na universidade.

A Greve Estudantil na USP

  • A paralisação dos estudantes da USP teve início em 14 de abril, motivada pelo apoio ao movimento dos servidores e pelo protesto contra as condições de permanência estudantil.
  • Mais de 105 cursos aderiram à greve, abrangendo diversos campi, como os do Butantã, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), Largo São Francisco, Quadrilátero da Saúde, e unidades no interior.
  • As principais reivindicações incluem a melhoria na qualidade dos restaurantes universitários, a interrupção de processos de privatização, a garantia de espaços estudantis e o aumento do auxílio para o valor de um salário mínimo paulista.
  • Estudantes também cobram equidade nas políticas de valorização dentro da universidade, apontando disparidades nos reajustes destinados a docentes, servidores e alunos.

Acordo com Servidores

Antes da mobilização estudantil, os servidores técnicos e administrativos da USP também realizaram uma greve por tempo indeterminado. A categoria encerrou a paralisação em 24 de abril, após firmar um acordo com a reitoria.

A administração da universidade comprometeu-se a instituir um programa de gratificação para os servidores, com pagamento mensal, pelo mesmo período do bônus concedido aos professores. O valor total destinado será igual ao montante reservado aos docentes e será dividido igualmente entre os servidores técnicos e administrativos. A medida, porém, ainda depende da aprovação das Comissões de Orçamento e Patrimônio (COP) e de Legislação e Recursos (CLR) da universidade, o que a torna uma decisão não definitiva até o momento.

Caso a proposta avance e todos os professores elegíveis para a bonificação sejam contemplados, a instituição investirá um total de R$ 476,88 milhões nas gratificações somadas de docentes e funcionários. O acordo com os servidores incluiu ainda o compromisso de não punir os grevistas, o pagamento pelos dias parados e a realização de uma reunião de negociação com os estudantes.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário