ENERGIA RETORNA AOS LEILÕES

Taesa volta aos leilões de energia em 2027 após aquisições

Rinaldo Pecchio Jr., CEO da Taesa, em entrevista.
Rinaldo Pecchio Jr., diretor-presidente da Taesa, detalha planos de expansão e retorno aos leilões de energia.

Empresa foca em integrar ativos adquiridos e negocia renovação de concessões, mirando novas oportunidades em certames futuros. CEO Rinaldo Pecchio Jr. detalha estratégia.

A transmissora de energia Taesa planeja retornar aos leilões do segmento em 2027. A decisão, anunciada pelo diretor-presidente Rinaldo Pecchio Jr. em entrevista à Reuters, ocorre enquanto a companhia prioriza a incorporação de novos ativos recém-adquiridos e mantém discussões com o governo federal sobre a renovação de suas concessões.

A Taesa, controlada conjuntamente pela Cemig e ISA Energia, espera concluir em quatro meses a integração das novas linhas de transmissão e subestações adquiridas da Energisa. A transação, no valor de R$2,3 bilhões, visa capturar sinergias operacionais e administrativas, além de potencializar o crescimento da empresa.

Os ativos recém-adquiridos estão localizados no Pará, Tocantins, Bahia e Goiás. Pecchio Jr. destacou que os empreendimentos no Pará, Tocantins e Bahia oferecem sinergias evidentes, enquanto o ativo em Goiás apresenta oportunidades de expansão de capacidade ('MVA'), impulsionado pelo setor do agronegócio.

Esta aquisição marca o retorno da Taesa ao mercado de fusões e aquisições (M&A). A operação se alinha a um plano de desalavancagem que deve se intensificar em 2028. Segundo o executivo, a compra de ativos já em operação se mostra mais vantajosa atualmente do que a participação em certames para novos projetos, que enfrentam margens apertadas devido à alta concorrência.

Pecchio Jr. observou que o investimento realizado nesta transação foi equivalente à metade do investido nos leilões dos últimos seis anos, mas resultou na aquisição de mais quilômetros de linhas e maior capacidade de transformação.

A participação da Taesa em leilões ainda em 2026 não está completamente descartada, mas será avaliada criteriosamente. A empresa só participará caso identifique oportunidades que garantam a saúde financeira e a capacidade de distribuição de dividendos. Uma participação mais ativa é esperada a partir de 2027, após a consolidação dos novos ativos e a geração de resultados.

Outra frente estratégica para a transmissora é a discussão da renovação de concessões com contratos que expiram em 2030. A Taesa precisa manifestar formalmente seu interesse até meados de 2027, um processo que requer definição clara de regras por parte do governo federal. Pontos cruciais como a indenização sobre ativos não amortizados e a decisão entre renovação ou relicitação dos ativos ainda aguardam esclarecimentos.

A Taesa defende que a análise de renovação ou relicitação seja feita individualmente para cada concessão, considerando o desempenho histórico. A empresa também apoia a inclusão do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) nas discussões, ressaltando a importância da confiabilidade do sistema de transmissão, especialmente em um cenário energético desafiador.

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