SAÚDE PÚBLICA EM AÇÃO

SUS retoma duas doses de reforço da vacina contra a pólio para crianças de 4 anos

Ilustração de uma criança recebendo uma vacina.
Criança sendo vacinada.

A partir de 3 de agosto, o Sistema Único de Saúde (SUS) volta a aplicar o esquema vacinal injetável com duas doses de reforço, visando manter a proteção contra a poliomielite em crianças.

A partir de 3 de agosto, o Sistema Único de Saúde (SUS) retomará a aplicação de duas doses de reforço na vacina contra a poliomielite para crianças de 4 anos. Esta decisão, comunicada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) em nota técnica recente, marca um retorno ao esquema vacinal que vigorava até 2024, agora utilizando exclusivamente a vacina injetável. A medida visa reforçar a proteção contra o vírus da pólio, que, apesar de erradicado no Brasil há 37 anos, ainda circula em algumas nações, representando um risco global.

O esquema vacinal atualizado estabelece 3 doses iniciais aos 2, 4 e 6 meses de idade para a proteção básica. Posteriormente, serão aplicadas duas doses de reforço: uma aos 15 meses e outra aos 4 anos. Todas as cinco aplicações serão feitas com a vacina inativada injetável, diferentemente do esquema anterior que incluía doses da vacina oral "gotinha". A escolha pela vacina injetável se deu devido a preocupações com a rara possibilidade de o vírus atenuado da vacina oral causar mutações e provocar a doença.

A médica Isabela Ballalai, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBI), enfatiza a importância dessas doses de reforço. "A proteção conferida pela vacina cai com o passar do tempo. Logo, as doses adicionais garantem que ela permaneça alta", explica. Ela reitera que a pólio está controlada no Brasil, mas surtos localizados em outras partes do mundo demandam vigilância contínua. "Esse é o padrão da Organização Mundial de Saúde", acrescenta, referindo-se ao esquema de dois reforços.

A vacinação é particularmente crucial para crianças menores de 5 anos, faixa etária mais suscetível a desenvolver formas graves da doença após a infecção pelo poliovírus. Embora o Brasil não registre casos da doença desde 1989 e tenha sido certificado como área livre de circulação do vírus em 1994, a vacinação é a única ferramenta eficaz para prevenir seu retorno e evitar novas epidemias. O país enfrentou mais de 26 mil infecções entre 1968 e 1989, quando a poliomielite, também conhecida como "paralisia infantil", causava danos neurológicos severos, incluindo paralisia e morte.

Crianças menores de 5 anos que não completaram o esquema vacinal devem ser levadas a um posto de saúde para atualização. Em situações de surto, a vacinação também pode ser estendida a adultos.

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