ALERTA NACIONAL URGENTE
SUS registra 75% mais casos de endometriose; diagnóstico atrasa 7 anos
Oito milhões de mulheres no Brasil convivem com a doença, que impacta fertilidade e saúde mental. Dados de 2022 a 2024 mostram explosão de atendimentos e um desafio na saúde pública.
Um alerta urgente ressoa na saúde pública do Brasil, revelando que a endometriose, doença ginecológica que afeta cerca de oito milhões de mulheres, tem visto um aumento dramático de 75% nos atendimentos registrados nos últimos anos, conforme dados recentes do Sistema Único de Saúde (SUS). O problema é agravado pela normalização da dor, que pode atrasar o diagnóstico em até sete anos, prolongando um sofrimento silencioso que compromete severamente a dignidade, a qualidade de vida e a saúde mental das pacientes.
A urgência desta situação é evidenciada pelo crescimento expressivo na procura por assistência médica. Em 2022, o SUS contabilizou 82.693 atendimentos na atenção primária. Esse número saltou para 115.765 em 2023, e atingiu a marca preocupante de 145.744 registros em 2024, indicando uma elevação de 75% no período.
Apesar da crescente demanda, o reconhecimento da doença permanece tardio. O Ministério da Saúde informa que muitas pacientes levam entre seis e sete anos para, finalmente, receberem a confirmação do quadro de endometriose, um tempo de espera que se traduz em anos de dor e incertezas.
De acordo com o ginecologista Gustavo Mafaldo, vice-presidente da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Rio Grande do Norte (SOGORN), um dos principais entraves para o diagnóstico precoce é a persistente normalização da dor menstrual.
“Muitas mulheres crescem ouvindo que sentir desconforto é normal, especialmente durante a menstruação ou nas relações sexuais. Essa crença faz com que elas demorem a procurar ajuda médica, o que prolonga o sofrimento e dificulta significativamente o tratamento”, explica o especialista, destacando o impacto direto na vida de milhões.
A endometriose ocorre quando células semelhantes ao endométrio, o tecido que reveste o útero, desenvolvem-se fora da cavidade uterina e reagem às alterações hormonais do ciclo menstrual. Esse processo biológico pode desencadear inflamações intensas, dores excruciantes e aderências entre órgãos. Sem intervenção e tratamento adequados, a doença tem potencial para evoluir, causando dificuldades para engravidar e alterações intestinais e urinárias.
Os efeitos devastadores da endometriose não se limitam ao corpo. Casos prolongados frequentemente estão associados a quadros de ansiedade e a uma perda acentuada da qualidade de vida, especialmente quando a paciente convive com dores crônicas e recorrentes, minando sua capacidade de desfrutar de uma existência plena.
Para Gustavo Mafaldo, identificar os sinais de alerta é crucial para encurtar o tempo até o diagnóstico e, consequentemente, ampliar as chances de um tratamento eficaz, restituindo às mulheres o direito a uma vida sem dor incapacitante.
“Cólicas menstruais incapacitantes, desconforto pélvico fora do período menstrual, dor durante a relação sexual e alterações intestinais no período da menstruação não devem ser ignorados. Todos esses sintomas merecem uma investigação aprofundada por um profissional de saúde”, conclui o ginecologista, reforçando a importância da auto percepção e da busca ativa por ajuda.
A recomendação é clara: procure uma avaliação médica ao perceber sintomas persistentes ou de forte intensidade, especialmente quando eles começam a interferir na rotina diária e no bem-estar. Quanto mais cedo a endometriose é identificada, maiores são as probabilidades de controlar a doença e proporcionar uma melhora significativa na qualidade de vida das pacientes.
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