CRIME PERSISTE ALERTA
Supremo autoriza operação da PF contra grupo de Vorcaro
Investigação revela que organização de Vorcaro persistiu com intimidações, monitoramento ilegal e ataques cibernéticos mesmo após ações anteriores da Compliance Zero.
A Polícia Federal revelou nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, que a organização criminosa investigada na Operação Compliance Zero persistiu em suas atividades ilícitas de intimidação e ataques cibernéticos, mesmo após prisões e as fases iniciais da força-tarefa. A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou a 6ª fase da operação, sublinha a resiliência do esquema e o grave impacto na segurança digital e na dignidade das vítimas, exigindo uma nova ação policial para desmantelar definitivamente o grupo.
Os investigadores identificaram a “persistência das atividades ilícitas” por parte dos grupos conhecidos como “A Turma” e “Os Meninos”, mesmo depois das primeiras ações policiais que resultaram na prisão de Daniel Vorcaro. A atuação contínua destes núcleos criminosos representa uma afronta à Justiça e coloca em risco a segurança e a privacidade de cidadãos, exigindo uma resposta firme do Estado.
A primeira prisão de Daniel Vorcaro ocorreu em 17 de novembro de 2025, na 1ª fase da operação. Outras fases se seguiram em 14 de janeiro de 2026 (2ª fase), março de 2026 (3ª fase, com nova prisão de Vorcaro), 16 de abril de 2028 (4ª fase) e 7 de maio de 2026 (5ª fase). Apesar dessas intervenções, os grupos mantiveram seu modus operandi.
“A Turma” especializava-se em ameaças, intimidações presenciais, levantamentos clandestinos e obtenção ilegal de informações sigilosas. Paralelamente, “Os Meninos” focava em ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis em redes sociais e monitoramento digital ilegal. A complexidade e coordenação dessas ações indicam uma estrutura criminosa bem organizada e adaptável.
Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, manteve contato com integrantes da estrutura investigada após as fases iniciais da operação. Mensagens interceptadas, como “no momento em que estou é que preciso de vocês”, indicam que ele continuava a recorrer aos serviços do grupo, evidenciando uma possível continuidade de apoio às atividades ilícitas.
Atuação e Recursos
A investigação também aponta que o grupo seguiu recebendo recursos significativos para a manutenção de suas operações. Conversas interceptadas revelam repasses de R$ 400 mil e negociações de pagamentos que poderiam chegar a R$ 800 mil. Esses valores indicam o alto poder financeiro da organização e a capacidade de se financiar para prolongar suas ações criminosas.
A continuidade das atividades ilícitas foi ainda mais evidenciada por tentativas de ocultação de provas, a troca frequente de números telefônicos e o uso de uma linha estrangeira, registrada na Colômbia, por Henrique Vorcaro, buscando evadir a fiscalização das autoridades. Além disso, integrantes do núcleo hacker “Os Meninos” agiram rapidamente para remover equipamentos eletrônicos e esvaziar imóveis após deflagrações de fases anteriores da operação, numa clara tentativa de destruir evidências.
A nova fase da operação resultou na prisão de:
- Henrique Vorcaro;
- David Henrique Alves;
- Victor Lima Sedlmaier;
- Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos;
- Manoel Mendes Rodrigues;
- Anderson Wander da Silva Lima;
- Sebastião Monteiro Júnior.
A operação também se volta contra policiais federais suspeitos de realizar consultas indevidas em sistemas internos da corporação para obter informações sigilosas. Esta linha de investigação ressalta a complexidade e a gravidade dos crimes, que atingem a própria integridade das instituições de segurança.
Os investigadores apuram crimes de organização criminosa, ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional. As ações da Polícia Federal visam desmantelar completamente essa rede, protegendo a sociedade de suas graves consequências e restaurando a confiança na segurança e na justiça.
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