CLIMA E ECONOMIA

Super El Niño coloca em alerta a economia e a infraestrutura da América Latina

Plantação de soja em Roraima sob céu nublado
Plantação de soja pronta para colheita em Roraima — Foto: Raquel Maia/Amazônia Agro

Especialistas preveem impacto severo em exportações e logística. Regiões enfrentam desde chuvas recordes até o risco de secas extremas.

A América Latina se prepara para a chegada de um El Niño que, segundo projeções de especialistas, pode se tornar o mais intenso já documentado. O fenômeno climático, que altera padrões globais devido ao aquecimento anormal das águas do Pacífico tropical, impacta diretamente a maior região exportadora de alimentos do planeta, trazendo riscos reais à estabilidade econômica e à rotina de produtores e comunidades.

As transformações climáticas já são sentidas na Amazônia e no Caribe, enquanto pesquisadores monitoram a intensificação prevista para setembro. A expectativa é de que o evento possa superar a marca registrada no período de 2015-2016.

Impacto no campo e infraestrutura

Nas regiões férteis dos Pampas argentinos, além de áreas no Paraguai, Uruguai e sul do Brasil, o fenômeno tende a elevar o volume de chuvas. Germán Heinzenknecht, da Consultoria de Climatologia Aplicada da Argentina, destaca que a maior umidade pode favorecer as colheitas de soja, milho e trigo, desde que o excesso de água não comprometa o solo ou facilite a proliferação de fungos.

O desafio logístico é central. Estradas rurais precárias no sul da América do Sul enfrentam o risco de alagamentos, o que pode impedir o transporte de insumos e o escoamento da safra. O governo do Paraguai, ciente desses riscos, mobilizou equipes de engenharia civil em julho para prevenir danos maiores.

Energia e logística

O setor energético observa o comportamento das chuvas com atenção. Enquanto o norte do Brasil pode enfrentar seca, aumentando a necessidade de gás natural da Argentina, o sul brasileiro viu as chuvas nas bacias hidrográficas atingirem 256% da média histórica em julho, segundo o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico). Leydson Dantas, do Instituto Nacional de Meteorologia do Brasil, alerta que a intensidade das precipitações pode concentrar um mês de chuva em apenas uma semana em regiões do centro-oeste e sudeste.

A navegação também sofre pressões. Na Amazônia, o tempo seco ameaça o escoamento da produção. Mais ao norte, a Autoridade do Canal do Panamá impôs restrições severas ao calado dos navios para poupar água, em uma tentativa de evitar os prejuízos logísticos observados durante o El Niño de 2023-2024.

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