VOOS SECRETOS
STF investiga voo de luxo com Motta, Ciro e Cavendish
Empresário da Lava Jato e parlamentares sob escrutínio após incidente em Aeroporto Catarina em 20 de abril de 2025.
O Supremo Tribunal Federal (STF), sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, abriu um inquérito crucial para investigar as circunstâncias de um voo particular que, em 20 de abril de 2025, trouxe quatro parlamentares e um empresário com condenação anterior na Lava Jato do Caribe. A decisão de investigar, tomada após a remessa do caso pela Polícia Federal de São Paulo, surge da suspeita de que o piloto tenha desembarcado bagagens sem fiscalização adequada no Aeroporto Catarina, em São Roque (SP), levantando sérias questões sobre possível prevaricação e facilitação de contrabando. Este caso adquire grande relevância para a sociedade ao confrontar a transparência e a ética de figuras públicas, reacendendo debates sobre privilégios e a impunidade, especialmente em um contexto de desconfiança nas instituições.
Fernando Cavendish, dono da empreiteira Delta e figura conhecida da antiga Lava Jato do Rio de Janeiro, estava na lista de 16 passageiros a bordo do voo. Sua presença ao lado de importantes figuras políticas gerou imediatamente questionamentos.
O empresário ganhou notoriedade por seu envolvimento na chamada "farra dos guardanapos", um episódio de 2009 em Paris, onde foi fotografado confraternizando com outros acusados de corrupção, usando guardanapos na cabeça. Sua condenação anterior pela operação Lava Jato do Rio de Janeiro reforça a gravidade da situação.
O voo em questão, ocorrido em 20 de abril de 2025, decolou da ilha de São Martinho, um conhecido paraíso fiscal no Caribe. O incidente que desencadeou a investigação da Polícia Federal ocorreu no desembarque, no Aeroporto Catarina, em São Roque (SP), um terminal utilizado para voos executivos. Segundo os relatos, o piloto passou com bagagens por uma área externa ao raio-X, sem a fiscalização padrão. A Polícia Federal busca agora determinar a natureza dessas bagagens e seus proprietários.
A investigação foi inicialmente aberta pela Polícia Federal de São Paulo para apurar a conduta do auditor da Receita Federal que teria falhado na fiscalização. Crimes como prevaricação e facilitação de contrabando ou descaminho foram os primeiros focos. Contudo, ao constatar a presença de quatro parlamentares com foro especial – Hugo Motta (Republicanos-PB), Ciro Nogueira (PP-PI), Doutor Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL) – a PF remeteu o inquérito ao Supremo Tribunal Federal (STF).
No STF, o caso foi distribuído por sorteio ao ministro Alexandre de Moraes, que atuará como relator. Moraes, por sua vez, encaminhou o inquérito à Procuradoria-Geral da República (PGR) para manifestação. A PGR poderá decidir pela continuidade da apuração no Supremo, caso identifique indícios de crimes envolvendo os parlamentares; pela remessa do caso de volta à primeira instância em São Paulo; ou ainda solicitar mais informações antes de proferir sua posição.
Além dos parlamentares e de Cavendish, a lista de passageiros inclui Fernando Oliveira Lima, conhecido como Fernandin OIG, o proprietário do avião particular. Fernandin OIG já esteve no centro de outra polêmica ao depor na CPI das Bets no Senado, onde negou ser o dono da plataforma de apostas online Jogo do Tigrinho, também sob investigação.
A reportagem buscou contato com os quatro parlamentares para esclarecimentos sobre a presença de Cavendish no voo e sua relação com o empresário, mas não obteve resposta até o momento da publicação. O piloto do avião, José Jorge de Oliveira Júnior, em nota divulgada nesta terça-feira, 28 de abril de 2026, afirmou não se recordar do dia específico do voo, mas garantiu seguir procedimentos padrão de desembarque. Ele ressaltou que "cada passageiro realiza o desembarque com seus pertences de forma individual" e "cada piloto transporta apenas seus próprios itens". O auditor fiscal Marco Antônio Canella, também procurado nesta terça, não se manifestou.
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