DECISÃO DA CORTE

STF envia investigação sobre respiradores da Hempcare ao STJ

Fachada do Superior Tribunal de Justiça
Investigação sobre compra de respiradores volta ao STJ

Ministro Flávio Dino declina da competência sobre o inquérito envolvendo Rui Costa, por não identificar atos criminosos durante o exercício de cargo ministerial.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou o retorno da investigação sobre supostos desvios na compra de respiradores ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). A medida, tomada em 11/07/2026, restabelece a competência da corte superior para processar o caso que envolve o ex-governador da Bahia e ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa, que nega qualquer irregularidade.

A decisão frustra o pleito da Procuradoria-Geral da República (PGR), que buscava centralizar o inquérito no STF. O órgão sustentava que a ocultação de valores desviados teria persistido enquanto o investigado atuava no governo Lula. Contudo, a análise técnica de Flávio Dino divergiu desse entendimento ao constatar que os indícios limitam-se ao período em que Rui Costa administrava o Governo da Bahia.

“Os fatos narrados teriam ocorrido no ano de 2020, tendo o mandato de Governador de um dos investigados terminado em 2022, sem qualquer tipo alegação de continuidade de ação delitiva enquanto estava ocupando o cargo de Ministro de Estado”, pontuou o magistrado em seu despacho. A decisão é fundamental para definir o foro adequado e conferir celeridade à apuração.

O escândalo remonta ao início da crise sanitária, quando Rui Costa, na presidência do Consórcio Nordeste, firmou contrato de R$ 48 milhões com a empresa Hempcare. O pagamento antecipado não resultou na entrega dos equipamentos, deixando estados como o Rio Grande do Norte — que investiu cerca de R$ 5 milhões — sem os insumos essenciais para salvar vidas. Os valores permanecem sob investigação e ainda não foram recuperados.

O inquérito, inicialmente conduzido pela Polícia Civil da Bahia, enfrenta uma longa tramitação entre instâncias judiciais. Com o retorno ao STJ, espera-se que a instrução processual possa avançar em busca de uma conclusão definitiva sobre o destino dos recursos públicos e as responsabilidades dos envolvidos.

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