QUEBRA DE CONFIANÇA

STF afasta delegada e marido por espionar para Vorcaro

Fachada da sede da Polícia Federal em Brasília sob um céu azul
Sede da Polícia Federal em Brasília. A corporação investiga um esquema de vazamento de informações.

Ministro André Mendonça determina afastamento preventivo e apreensão de passaporte em Operação Compliance Zero. Casal de policiais federais é acusado de vazar dados sigilosos.

Nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento preventivo da delegada da Polícia Federal Valéria Vieira Pereira da Silva e proibiu sua saída do país. A decisão, tomada diante de graves suspeitas, indica que ela e seu marido, o policial federal aposentado Francisco José Pereira da Silva, atuavam como "espiões" para o banqueiro Daniel Vorcaro, violando a confiança pública e a integridade da corporação. Essa ação, parte da sexta fase da Operação Compliance Zero, busca desmantelar uma rede que, ao vazar informações sigilosas, mina a justiça e a segurança do país.

A delegada Valéria Vieira Pereira da Silva é investigada por um papel central no fornecimento de dados confidenciais a um grupo criminoso, conhecido como "A Turma", que trabalhava em benefício dos interesses de Vorcaro. As investigações da PF revelam que Valéria teria acessado, sem justificativa funcional, um inquérito crucial conduzido pela Superintendência Regional da PF em São Paulo. Ela estava lotada em Minas Gerais desde 2006 e não possuía qualquer relação com a apuração em questão.

Após o acesso indevido, a delegada supostamente repassou os detalhes para Marilson Roseno da Silva, outro policial federal aposentado que colaborava com a família Vorcaro. A Polícia Federal confirmou que o "conteúdo compartilhado teria sido suficientemente detalhado, permitindo a identificação do objeto da investigação e de pessoas efetivamente visadas", o que representa uma grave quebra de sigilo profissional e um atentado à lisura dos processos investigativos.

Embora a PF não tenha encontrado comunicações diretas entre Valéria e Marilson, a corporação suspeita que o marido da delegada, Francisco José Pereira da Silva, agiu como intermediador. Essa manobra teria como propósito "reduzir rastros diretos da participação da delegada", visando ocultar o esquema. As acusações contra o casal são de violação de sigilo funcional, corrupção e participação em organização criminosa, delitos que minam a fundação do Estado de Direito. Como parte das medidas preventivas, o passaporte da delegada foi apreendido, com prazo de 24 horas para entrega.

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